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25/04/2012

poncã

abrindo poncã como abro coração
rasga pele casca tecido textura fibra
dissipa cheiro perfume fragrância
sente o gomo o doce o fresco
escorre suco mela dedo
mastiga devagar

escamas de mel
paisagem de neve
devora como se fosse bicho
mas com ternura de beijo
porque é coisa viva

15/05/2011

meio de maio

descobrir tesouros guardados e esquecidos no fundo de um armário. #ameliepoulainfeelings. ter um fim de tarde digníssimo com as amigas. chorar as mágoas, destilar o veneno, sofrer o amor. ler poesia e horóscopo, beber vinho, champanhe, coca-cola, comer pipoca e brigadeiro, ser linda, sempre! e na noite errante, errar nômade, bater de porta em porta até acertar a casa certa. voltar naquele limiar do dia, quando ainda é noite e não mais. se sentir jovem e velha. dormir com uma vista de marie antoinette pintada por van gogh: um lago cinza azulado, emoldurado de árvores negras e um horizonte roxo acinzentado pingado de pontos amarelos, logo acima faixas de amarelo gema, lilás, magenta, verde menta pastel dissolvendo num azul cor de lago. uma nuvenzinha cinza e baça no alto, assim, meio se desmanchando... e em um movimento, no tempo de uma frase, nuvens cor de espumante se comprimindo até virarem uma grande massa rosé cortando o céu em faixa. uma música fim de festa sujando o silêncio da aurora e uns passarinhos arriscando timidamente anunciar o início do fim da semana.

02/04/2011

da esperança renovada

essas idas e vindas da vida... que cara de menina que essa menina tem! ela sonha com o mundo... posso ver na sua loucura. soltou suas asas e agora, só os parafusos no chão. faz sorrir meus olhos mergulhados em graça. faz subir como as bolhas para tomar fôlego. a cortina dança para a janela que esquece da paisagem. o piano dorme ao fundo, embalado em silêncio. os colares tilinteiam na madeira e o sol desnuda o vidro em vultos de cor. os pássaros? ah, que amor de pássaros... andorinhas de fraque e cartola se enroscando em fitas amarelas. oitenta centavos o metro em algodão. já posso ver a ponta que desfia... próxima vez fico com o cetim. romantismo barato!

29/12/2010

feliz ano novo

faltam menos de 50 paginas pra eu te esquecer. e se, por um raio de tempo, eu desabotoar em cor? ontem chorei em silêncio no quarto escuro. chorei pelo passado que não foi, pelo presente que não é, pelo futuro que não sei. quando vi aquela pilha de cadernos a serem usados, e aquela pilha de livros a serem lidos, senti uma vontade enorme de dormir. tive medo de fechar os olhos: os fantasmas que guardo em mim gostam da escuridão da mente. mas, e se, por um raio de luz, eu desbotar em flor? o livro foi se despedaçando em minha mão, e meus cabelos borbulharam como os de sierva maria. como o champanhe, estourando ao ritmo da música. e cada explosão, de cada bolha, de cada nota, todas cheias de dentes, me fez acreditar naquela única promessa, tão simples, e tão complexa. de tudo aquilo que só faz sentido na minha cabeça, só vou guardar a loucura.