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28/04/2012

neologismo

pintolho
riscochão
amoracor
dedentro
odente
embebe
queéna
uva 
quemorao
segredo

28/10/2011

waking up?

hoje fui ter com os passarinhos.
falei pra eles o que eu me falo todos os dias...
andei descalça na grama,
senti a leveza desse mundo pesado.
fiquei doente.
a solução?
não me deixar sozinha comigo mesma por muito tempo!
cortei uma mecha de cabelo,
comprei um sapato,
passei um batom.
tive um sonho ridiculamente bom.
mas era só um sonho...
então eu acabei com uma garrafa de cachaça!
agora só me restam três...

23/10/2011

o jantar

ligou o fogo
cortou alho e cebola
separou os temperos
escolheu o vinho

naquela noite serviria em grande estilo!
o prato principal: seu coração.

15/05/2011

meio de maio

descobrir tesouros guardados e esquecidos no fundo de um armário. #ameliepoulainfeelings. ter um fim de tarde digníssimo com as amigas. chorar as mágoas, destilar o veneno, sofrer o amor. ler poesia e horóscopo, beber vinho, champanhe, coca-cola, comer pipoca e brigadeiro, ser linda, sempre! e na noite errante, errar nômade, bater de porta em porta até acertar a casa certa. voltar naquele limiar do dia, quando ainda é noite e não mais. se sentir jovem e velha. dormir com uma vista de marie antoinette pintada por van gogh: um lago cinza azulado, emoldurado de árvores negras e um horizonte roxo acinzentado pingado de pontos amarelos, logo acima faixas de amarelo gema, lilás, magenta, verde menta pastel dissolvendo num azul cor de lago. uma nuvenzinha cinza e baça no alto, assim, meio se desmanchando... e em um movimento, no tempo de uma frase, nuvens cor de espumante se comprimindo até virarem uma grande massa rosé cortando o céu em faixa. uma música fim de festa sujando o silêncio da aurora e uns passarinhos arriscando timidamente anunciar o início do fim da semana.

17/04/2011

flor de carnaval

o corpo não estava.
os olhos não olhavam.
por onde será que ela sentia?
era isso a droga.
a rosa no ombro,
o movimento automático.
o sorriso simpático,
as mãos no bolso,
e a purpurina
morrendo de solidão
no meio do deserto
omoplata.

16/01/2011

dos românticos

gosto mais de paris à noite. quando o ar é fresco e nebuloso. com todas aquelas lâmpadas sombreando a cidade.  quando as pessoas são vultos negros dobrando a esquina. eu poderia ser um poeta boêmio do século xix. eu e mais dois amigos, andando torto pelas ruas, cantando odes à cidade luz, cheios de ópio, brandy e vinho correndo no lugar do sangue. nos inspirando amar e odiar.

22/12/2010

feliz natal

toc toc toc toc
toc toc toc toc
a rua vazia
toc toc
branca
das lampadas que me dividem
em três
toc toc toc toc
a boca seca
toc toc
do álcool
toc toc toc toc
a rua vazia
toc toc
branca
das lampadas que me dividem
em duas
toc toc toc toc
a língua escura
toc toc
como o sapato
toc toc toc toc
a rua vazia
toc toc
branca
das lampadas que me dividem
toc toc toc toc
os lábios ardem
toc toc toc toc
toc toc toc toc
filho da puta