não estou mais em paris, mas paris ainda está em mim
21/09/09
Ois amigos!
Já fazem 47 dias que estou cá do outro lado
do mar. E continuo escrevendo, mesmo recebendo cada vez menos
respostas. Mesmo assim, carente, sozinha, e mal-amada, eu continuo
escrevendo, em Paris (ha-ha).
Depois de duas
palavras de vingança, procuro na memória as perdidas da semana. Como
escrevi o journal 6 atrasado, e o 7 ainda em tempo, este vem com menos
histórias... mas nem por isso será menor (ha-ha-ha).
Nessa
vidinha, que que a gente faz? Você me pergunta, e eu respondo: nessa
vidinha a gente visita uns castelos. É, porque enquanto a gente não casa
com um duque (ou no caso aí da terrinha, com um deputado) e compra um só pra
gente, só dá pra ir visitando/sonhando com os daqui... e é visitando - não
sonhando - que a gente paga o pão dos guias turísticos. Então, eu, vó e
vô alimentamos por um mês 3 coitados: uma fia que falava inglês e
italiano muito bem, um fio que falava inglês e espanhol muito mal e um
japa que falava japa. Aí os fio foram andando e a gente foi seguindo. Calma, gente, calma, nós não fomos andando até lá, nós fomos de
ônibus mesmo. O primeiro castelo, meu futuro lar doce lar, chama-se
Chenonceau (Xênonçô - pra vocês, plebe pobre e ezótica do 3o mundo).
Minha casa fica no meio de um rio, de frente pra um boulevard (bulevar)
de longas árvores, ao lado de um jardim geometricamente planejado,
próximo a um labirinto rodeado por um bosque. Uau! Pois é, eu sei, não é
a toa que é o meu futuro lar. Depois seguimos para Cheverny (Xeverní), um
palacete, assim, bonito, mas que eu tomei implicância porque os
herdeiros ainda estão por lá, então no meio da decoração original do
século 16/17 a gente encontrava uns porta retratos com umas fotos de um
casamento em 1994, e de umas crianças de cabelo lambido. Depois veio o
Chambord (Xambór), colossal, e só para festas, bailes e jantares... bons
tempos aqueles... uma maravilha ser rei!
Depois
desse dia castelento, na semana sobrou só o cinema para contar. Aqui, na
terrinha das artes, tem carteirinha pra tudo. Não sei se é porque o
povinho daqui é assíduo demais, culturalmente falando, ou se é só pra
ter mais formulário pra preencher, porque aqui, só falta ter que
preencher formulário pra tomar água da torneira. Acho que é porque ela
dá pedra no rim, aí seriam vários pro seguro social, então eles deixam
passar. Bom, eu preenchi alguns outros vários insuportáveis e
intermináveis formulários e aderi às carteirinhas do cinema. Aqui tem um
cinema que você paga uma taxa mensal e vai quantas vezes você quiser, ou
puder. Como todos os filmes passam por aqui, resolvi me vingar da
abstinência que eu tinha em Brasília e fui 3 vezes ao cinema em uma
semana! E vou mais umas 5 até o final do mês! Vi A Deriva, 2x Inglorious
Bastards, Julie e Julia, e começo a ter idéias para
meu trabalho final. Sim, até porque tenho que ter idéias logo, mas isso
eu explico no próximo parágrafo. Ainda quero ver 9 do Tim Burton, O profeta, aquela animação da pixar, que
eu não sei o nome, do menininho escoteiro, e um outro que não sei se saiu
aí também chamado Les Regrets, além de 500 dias juntos e... afe! chega!
eu vou é ficar doida, isso sim, com tanta carteirinha, tanto filme,
tanto teatro, tanta coisa pra fazer! chega a dar uma angustia!
Hoje
também me inscrevi na universidade! Com, adivinhem, carteirinha e tudo!
Parecia até matricula na UnB. Um monte de fila, fila pra tudo, pra
todos os lados, e todas longas. Aí tinha que ficar preenchendo um monte
de formulário e pagando um monte de taxa. No final você recebia a
carteirinha. Levei minha pior foto. Quis morrer. Achei que era pra
deixar com eles, lá num desses montes de formulários que eu já sabia que
ia preencher, aí morrinhei a foto bonita, que já está acabando, mas não,
era pra maldita da carteirinha. Agora tenho que olhar para aquele ser
estranho, descabelado, esbugalhado, dizendo ser eu, o resto do ano! Ai
que horror. Vou botar um daqueles adesivos de sorriso em cima, que nem a
gente fazia na 5a série. Ah sim, quase ia me esquecendo, ficou que vou
ficar no Master2 mesmo e devo dizer, estou em pânico! Por isso a pressa
das idéias. Torçam por mim!
Amanhã vou me
inscrever na natação! (oohh) Pois é minha gente, se eu pudesse fazer uma
comparação estranha, diria que o esporte é o assassino da serra
elétrica, e eu, aquela loira que corre dele na floresta. Agora eu não me
lembro se ela escapa dele no final. Melhor assim, se eu lembrar, é
capaz de desistir antes de me inscrever. De maneira ou de outra, aqui na
cité (citê) tem uma piscina (coberta, por favor) que pra usar é bem
baratinho. Mas tem que usar maiô de uma peça, não pode ser de duas, se
não, do jeito que os franceses são, acaba sendo é nenhuma mesmo. Aí vou acabar
comprando um ali na máquina. Sim, porque aqui eles tem máquina de
tudo, refrigerante, café, lanchinho e artigos de natação, onde você
encontra além de maiôs e sungas, óculos, toucas e até tampões de ouvido!
Nossa, mas esses europeus pensam em tudo mesmo né!?
Amanhã
vó e vô partem continente afora. Depois voltam por mais 2 dias e après
(apré), back to terrinha. Eu continuo aqui, na terrinha que fica do
outro lado do mar. Descobrindo novas gírias, enfrentando os
mal-humorados, adivinhando o tempo, deslocando minhas costas,
desmistificando essa gente. Se eu pudesse fazer outra comparação
estranha, diria que me sinto como Pedro Alvares Cabral quando descobriu o
Brasil, só que um pouco mais bem informado.
Essa terra não tem palmeiras
Também não tem sabiás
As aves daqui são escuras
E não gorjeiam como lá
Mas aqui também tem primores
Outros tantos diferentes
E em cismar, sozinha, à noite
Encontro tanto lá, como cá
Todos bons de contar
Não permita Deus que eu esqueça
Das palmeiras, dos queijos, dos vinhos, dos sabiás
De tudo que eu encontro tanto lá, como cá
Nossa,
depois desse momento poesia, melhor nem revisar esse pedaço que é
pra não ficar deprimida, vou ali pro cemitério de montparnasse começar
a viver como os boêmios do romantismo... e depois desse momento piada
intelectual, eu paro logo de escrever, porque tudo isso é um mau sinal.
A
diquinha de moda não tem, nesse email teve até momento poesia e momento
piada intelectual, seguir tudo isso com uma diquinha de moda é demais
pruma lida só.
O resumão da semana sempre tem,
porque são momentos de minutos que valem a pena serem divididos em
outros vários: lindo foi descobrir escondidos por entre os relevos dos
arcos do Arco do Carrossel, ninhos, muitos, pequenos, camuflados, de
andorinhas. E debaixo podia-se ouvir ecoando o canto alegre, ou talvez
esfomeado, dos passarinhos.
Pros olhos que
ainda tem coragem, seguem algumas fotos (eu e o louvre, eu e a torre
eiffel, eu e o sena, eu e...) nãão... não sou sádica a esse ponto, só
tem eu e o arco do triunfo e eu e... hehe mas falando sério agora, tem 2
fotos do show que eu fui (rock en seine); eu acendendo uma vela que é
pro santo ficar feliz, lá na notre dame; algumas do meu aniversario - karina + família / vô, vó e mamis; não deu pra anexar mais
porque o email é plebeu e só tem 10MB de potência. No próximo, envio
umas fotinhos de onde eu moro, e depois quem sabe de onde eu vou morar
hehehe
Beijos e não reclamem, a única pessoa
que pode reclamar aqui sou eu, que estou carente, sozinha, e mal-amada do outro lado do mar, em Paris (ha-ha-ha-ha) eu só faço isso que é
pra vocês sofrerem um pouco também, sabe? de raiva ou de inveja.