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19/06/2011

sonhos não, fome de mundo

ouvi uma música que me dá vontade de ser amor puro. de me abrir em luz, rasgando pele, cegando mundo. vontade de seguir uma diagonal de déboulés infinitos no boulevard de chenonceau, de correr como maria antonieta pelos corredores de versailles ou ainda de mergulhar lentamente naquele rio gelado onde virginia woolf pensou uma última vez. quero ver todos os filmes, ler todos os livros, ouvir todas as músicas, escrever todos os poemas, morar em todas as cidades, ser todos os personagens, viver todas as histórias, ter todos os amantes, e um só grande amor pra sempre.

18/06/2011

la chute

noutro dia era o corpo que descolava, comalma doutro, duplicada, copiada, seguinte, repetindo ação. respirava duas vezes, o mesmo corpo duas vezes em paralelo consigo mesmo. espelho invertido, refletido de dentro. tocavam as mãos, duas vezes, duplicando também a mão parceira, fazendo-se um quarteto alucinante. queria dançar daquele jeito. com aquele corpo. aqueles corpos, todos, no escuro, só a respiração. respiração e saliva duas vezes cada vez. e agora, dondestá o duplo? terceira e quarta mão, outreu d'outrora. pedaço de esfera perdida. porquessa pressa? será que gruda de novo? fundição ao contrário. e o tempo? dobrou no corpo? evaporou com o espírito? não vi o tempo, dormi. e no ranço de toda essa sensibilidade corpórea, o medo simples de enlouquecer.

13/06/2011

dos bailinhos do coração

eu poderia fazer mil versinhos sobre os músicos
e suas mãos bailarinas
dançando pelas cordas de um violão
cada uma em um ritmo
cada dedo num som
compondo aquela coisa linda
chamada amor.

04/03/2011

da incompletude

esses amores não amados
esses não amores tão esperados
eu sei
eu sou
tantas certezas de nada...

eu queria que o teu corpo invadisse o meu como uma onda e que todo aquele inominável me vomitasse prum admirável mundo novo onde meus dedos correriam as páginas de cada um rescrevendo as histórias da minha maneira

eu queria falar da incompletude das coisas e que todo aquele inominável me engolisse num grande vácuo sonoro onde meus dedos correriam aquelas frases obedecendo cada uma da melhor maneira

mas uma aula de ballet me contrariou
e eu não sei o que fazer com tanto sentimento

voltei a acreditar

aqueles tempos tão esquecidos
aqueles tempos nunca vividos
eu quero
eu tenho
e tudo se desmancha assim...

23/02/2011

fui amar e já volto

observar o mundo e ser outra coisa. essa coisa bailarina. é quando vem à tona meu cisne negro. eu só queria amar e ser amada. mas nessa vida, quem espera por sapatos de defunto morre descalço.