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Mostrando postagens com marcador corpo. Mostrar todas as postagens
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12/03/2014

o gozo IV

o gozo desceu o corpo
molhou cabelos,  rosto
e coração.
como lágrimas quentes
foi te varrendo para dentro,
cada vez mais querido.

28/08/2012

quando o dente não é pipoca

a pele que arranco é a pele que me falta. quanto mais eu dentro do mundo, mais mundo dentro de mim. alhear...
mas como? se é o dentro fora que me revela

17/06/2012

o gozo II

era isso, agora eu me lembro. dor e prazer em um não ver branco de luz escura. onda furiosa levanta e morre em espuma fina e quieta. não mais existir ou existir demais. água. é tudo que sou, é tudo que tenho para te dar.

04/05/2012

descobri onde você guarda seus segredos

bem ali,
onde os olhos fazem a curva,
onde o dente se esconde,
na esquina do sorriso,
na sombra do pelo,

na dobra,
na pinta,
no poro,

no cheiro sem memória,
no silêncio de estátua,

09/08/2011

addicted

sentir no braço, nas pernas, no meio do estômago, aquela sede. sede não na boca, na carne. um ardor leve, interno, discreto, mas que o fundo sabe que é precisão, vontade. vontade... vontade,  vontade, vontade, aquela vontade VonTade VonTaDe VoNTaDE VONTADE VONTADE VONTADEVONTADEVONTADEAQUELA VONTADE LOUCA DE BEBER UMA COCA COLA, DE COMER UM CHOCOLATE, DE GRITAR, DE SENTIR SEU CHEIRO, DE ESTAR AO SEU LADO.

18/06/2011

la chute

noutro dia era o corpo que descolava, comalma doutro, duplicada, copiada, seguinte, repetindo ação. respirava duas vezes, o mesmo corpo duas vezes em paralelo consigo mesmo. espelho invertido, refletido de dentro. tocavam as mãos, duas vezes, duplicando também a mão parceira, fazendo-se um quarteto alucinante. queria dançar daquele jeito. com aquele corpo. aqueles corpos, todos, no escuro, só a respiração. respiração e saliva duas vezes cada vez. e agora, dondestá o duplo? terceira e quarta mão, outreu d'outrora. pedaço de esfera perdida. porquessa pressa? será que gruda de novo? fundição ao contrário. e o tempo? dobrou no corpo? evaporou com o espírito? não vi o tempo, dormi. e no ranço de toda essa sensibilidade corpórea, o medo simples de enlouquecer.

04/06/2011

caber-se

quanta dor cabe num corpo? quanta dor? um só corpo. quanta dor! quanta fome cabe num estômago? quanta? e no coração? quanta fome no coração? quanto amor! é tanto, é muito, é demais. é quase nada. tudo no mesmo coração. tudo no mesmo estômago, no mesmo corpo, na mesma carne. quantas idéias erradas cabem num cérebro? um só cérebro e todas aquelas idéias erradas. várias idéias erradas, infinitas idéias erradas, infinitos amores certos e errados, infinitas fomes e dores, certas e erradas. quanto. muito! quanto... nada? em cada pedacinho, cada célulinha, um ponto de dor, de fome e de todas, muitas, sempre, infinitas e retornáveis outras coisas que esse corpo é capaz.

05/05/2011

derrame cerebral

a chuva entrou no meu quarto pela janela do meu corpo. a gotinha correu o vidro como uma estrela cadente. fiz um pedido. quanto mais eu dentro do mundo, mais mundo dentro de mim. vazamento do ser. pedi pra chorar lá fora e não dentro de mim, pra verter no coração dos outros, não no meu. pedi pra ser aquilo que sempre quis. pra parar de ouvir aquela música, pra que ela parasse de falar comigo, pra que meu cérebro voltasse a si. quis me embriagar de pol rémy e vomitar poesia. poesia tripenta, dessas guardadas, revirando o estômago na ressaca. maldita insônia lúcida, maldito corpo cansado. a chuva entrou no meu corpo pela janela do meu quarto. a gotinha correu o vidro brilhando com pressa. tremelicando, deixando rastro de lesma.

17/04/2011

flor de carnaval

o corpo não estava.
os olhos não olhavam.
por onde será que ela sentia?
era isso a droga.
a rosa no ombro,
o movimento automático.
o sorriso simpático,
as mãos no bolso,
e a purpurina
morrendo de solidão
no meio do deserto
omoplata.

04/03/2011

da incompletude

esses amores não amados
esses não amores tão esperados
eu sei
eu sou
tantas certezas de nada...

eu queria que o teu corpo invadisse o meu como uma onda e que todo aquele inominável me vomitasse prum admirável mundo novo onde meus dedos correriam as páginas de cada um rescrevendo as histórias da minha maneira

eu queria falar da incompletude das coisas e que todo aquele inominável me engolisse num grande vácuo sonoro onde meus dedos correriam aquelas frases obedecendo cada uma da melhor maneira

mas uma aula de ballet me contrariou
e eu não sei o que fazer com tanto sentimento

voltei a acreditar

aqueles tempos tão esquecidos
aqueles tempos nunca vividos
eu quero
eu tenho
e tudo se desmancha assim...