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07/10/2013

dançando a hula para os demônios

é me arrastando pela terra que eu reencontrarei minha delicadeza, porque é da boca do verme que brota a vida. com o rosto colado ao chão, e o peso do mundo nas costas, descobrirei que o brilho do muco das minhocas reflete as estrelas do céu, e que os poros das pedras suam gotas de sonho. descobrirei que orvalho é espelho de borboleta, e que o excremento dos seres mais asquerosos é feito de açúcar. 

entre figos, maçãs, e unicórnios, destruirei minhas lembranças de vidro. cortando pele, do sangue farei um chá paramim. um chá paramar. a luz que entrar pela janela revelará fadas azuis na poeira que se respira, e o amor terá o som de um estalo, do beijo de duas pálpebras.

depois, quando eu me levantar, dançarei a hula para os demônios, no escuro, até o sol raiar.

29/01/2013

journal BXIV

terça feira, vinte e nove de janeiro de 1930, 12:50 | deixei meu coração na fila do bandejão com um músico judeu.

02/01/2013

journal RI

de pintos, peitos e periquitas a praia é abundante. crianças roliças e mulheres roliçantes rolam na areia. e nessas passagens simbólicas algumas coisas ficaram, como o menino que ainda puxava um carrinho bip bip pela calçada, ou o ruivinho que corria na areia, a sunga quase tão vermelha quanto seus cabelos. o resto passou. os bancos de praça, os travestis, os chinelos, os cachorros e o baby wipe. muita coisa passou pela pele, pouca coisa virou pinta. os vickings, piratas e ciganos, por exemplo, sempre mancham. paguei 10 reais por poesia barata. o suco acabou em um gole. o passo tinha cheiro de tinta, cheiro de francia. a revolução eram borboletas de papel sujando as ruas. o centro estava tranquilo e nem era domingo. me perdi em uma travessa cheia de histórias de amor. comecei tímida, incerta. depois fui me empolgando. poesia boa não tem preço. as fachadas da memória foram restauradas, tudo por dentro mesmo, porque aqui a coisa medo ainda ronda. olhei para omar e cansei do amor. fui embora sem dar tchau. desisti da minha cama e quase engasguei com a uva da formatura. acho que lido melhor com dinossauros do que com baratas.

04/12/2012

journal FXVI

quando o aqui presente não promete, a gente foge pro lugar nenhum do sempre (ou do nunca?) que é a saudade


05/12/09
Ois gerais,

Quantas vezes uma pessoa pode ir ao cinema em um dia? E em uma semana? A minha inspiração não é uma pomba branca que vem do mar, mas uma coruja velha atarraxada no galho seco de uma árvore, que só abre um único olho e faz « u-u » à 1h da madrugada. Quando não às 3!

Nesses tempos sem notícia muita água já rolou. Sim, quem não dá notícia agora sou eu, invertamos um pouco os papéis. Uma vez eu fiz um teste numa revista pra ver se eu sabia discutir a relação. Tirei quase 10. Um dos itens era saber criticar o outro criticando a si próprio. O ó. Faz duas semanas que eu só sei falar o ó pras coisas. Boas e ruins. Tudo começou com Twilight 2 capítulo Tentação que eu fui ver com a Karina no cinema mais brega de Paris (Champs-Elisée). Foi o ó de divertido. Rimos até chorar do pobre do filme. Aí a moda pegou (tanto de falar o ó, quanto de falar durante o filme). Semana passada fomos ver O Bazar. Ta disputando o top3 piores filmes da minha vida. Acho que Hulk ainda tem o cinturão invicto do primeiro lugar, mas fazia tempo que eu não via uma coisa tão ruim daquelas. Não conseguia parar de rir (pra não chorar). Até levei um chute da menina que queria dormir ao lado e não conseguia com as nossas risadas. Foi o ó da experiência cinematográfica! No mesmo dia fui ver um filme d’uma israelense. Prendre Femme o nome do filme. Ronit Elkabetz o nome da israelense. Roteirista, diretora e atriz. E que filme bom! E que mulher linda! O ó. Fazia tempo que eu não via uma mulher daquelas. O filme foi tão bom, e a mulher tão bonita, que eles conseguiram vender todos os ingressos do outro filme dela que passou no dia seguinte (a segunda parte da trilogia, cuja terceira ainda não foi realizada). Sept Jours o nome do filme. O ó de bom também. Hoje, para completar minha semana Tela Quente, eu fui ver The Limits of Control e Vincere. O primeiro é interessante. Bem à la Jim Jamursch. Dormi 3 vezes. O resto do cinema também. Nas horas em que eu estava acordada fiquei contando os que dormiam. Hehe. O segundo é bom. Mas pareceu querer abraçar o mundo com 4000 metros de filme. Saí da sala com a cabeça pesada. Cheia de idéias. Não para o meu trabalho (que era tudo que eu precisava nesse momento), mas para o journal e para o roteiro. Aquele eterno roteiro que eu escrevo e reescrevo há 2 anos. Será que um dia ele sai de mim? Ou será que um dia eu saio dele? Ideias mil que chega me dá preguiça de começar a esboçar. Acho que quando terminar o journal já vou estar com tanto sono que vou esquecer todas.

Nessas águas que rolaram muito tempo sem notícia também boiou Lyon. A viagem foi ótima. Me colocaram numa cabine de trem Zen. Levei um livro (acreditando no poder do estudo), mas lá, assim como no filme do Jim Jamursch, todo mundo dormia. Êta que dava um sono ver aquele povo dormindo… e era inútil lutar contra, todo mundo se rendia no final, com o livro aberto no colo, ou o jornal aberto na mesa. Ouvindo música, ou assumidamente de boca aberta mesmo.

Lyon é uma Paris com jeitinho de Florença. Uma boa mistura. Matei minhas saudades de televisão na casa do Étore. Foi o programa da noite de sábado e de domingo! Televisão com vinho e azeitonas. Chique. Também visitei o museu de tecidos (o ó de bom) e o de cinema (a casa e a fábrica dos Irmãos Lumière). Isso tudo entre outros passeios bem gostosos pela cidade e pelo teatro romano que tem lá. Fotos no Orkut.

Também boiou a despedida da Kameni. Confesso já sentir falta da minha companheira de fim de semana. Vide minha dupla ida ao cinema numa sexta feira a noite. Quanto à escola, apresentei um trabalho na terça. Vou apresentar outro na próxima terça e outro na outra próxima. Aí só tenho prova em Janeiro. 

Quanto à saude e à beleza. Assim que cheguei de Lyon briguei com uma gripe. Fiquei de cama uns dias. Melhorei. Daquele jeito Julia né. Como diria Lais, eu não fico doente, eu sou doente. Já a beleza foi atacada pela Síndrome de Noel. A Síndrome de Noel é uma coisa não especificada que deixa a gente decorada para o natal. Cheia de bolas vermelhas na cara. Semana que vem vou no médico.

Ah sim, antes que eu me esqueça. Foi lindo chegar em casa e descobrir cartinhas em cima da minha cama! Obrigada queridos, amei! As devidas respostas virão. A cada três palavras que escrevo, penso numa das ideias mil. Tenho que correr com os dedos antes que a memória se canse de brincar. Mas para não perder o ritmo, fica mais uma diquinha de filme: O Concerto. Bem leve e divertido. Eu sei que tem mais pra falar, mas tem aquele velho problema… lembrar o que!

Bisoux,

Ps: Nossa, revisando mal e porcamente agora, como eu fui repetitiva: é filme pra lá, filme pra cá, o ó prali o ó aqui! Credo. Desconsiderem a pobreza da escrita. Ainda bem que eu não tento fazer rimas.

23/11/2012

charles

que olhos! eu queria poder desenhá-los, mas a minha linha não tem a energia das pessoas. eram grandes de mel brilhantes, olhos de cílios longos formando um contorno bem marcado. sobrancelhas grossas, nariz longo e fino: três retas afilando em uma ponta sóbria. tinha o rosto curto, maxilar presente, boca pequena e preenchida. dentes pequenos e escuros de quem toma muito vinho. a barba bem feita. o cabelo curto e volumoso esboçava cachos prateados, como nuvens brancas em um céu negro. tinha os dedos da mão longos e finos. a luz lhe batia dura, mas gostava do sol. era grego. não, italiano. talvez fosse espanhol. beleza de estátua, fora do tempo e do espaço. será que era isso? chamei-o de carlos.

19/09/2012

journal BIX

eu poderia ficar horas ali, esperando um milagre enquanto observava a aranha existir silenciosa no canto do teto.

06/06/2012

despe-me

aquele vestido... era como se uma outra dela estivesse ali na frente do espelho, olhando-a, lembrando-a de tudo que já vivera com aquela roupa. pena que já não conseguia mais dizer se eram bons ou ruins, os momentos... era a peça que ela mesma se pregava. quem? a moça do vestido, ou a do espelho? e não eram as duas a mesma? sim e não. a ingrata criatura estava lá. a ingrata criatura sempre está. estava no vestido, no caminho de volta pra casa, na comida e na água que se bebe, no cheiro sem memória. e quando a memória já não tem mais cheiro, a ingrata criatura também surge. lá do fundo das tramas do tecido, do fundo do esquecer. sai rasgando tudo que encontra pela frente. e lhe toma por inteiro. e lhe veste. quando se olha no espelho, ela é toda ela.

24/09/2011

haters gonna hate

tudo aquilo que eu quero e que você não é, versus tudo aquilo que eu não sou e que você quer ser.
what the hell?! vomits her mind.
tudo aquilo que eu quero ser, e que eu posso, e não sou.
do querer mais sem querer querendo mesmo sem poder.
sem medo dos ajustes do ser.
i can take it to the next level ba-by.
seguir a si mesmo. promise i'll be kind, but i won't stop.
a festa estando dentro de si. como se nada, e nada falta.
a idade lhe caindo bem.
keep on dancin'. but i don't feel like dancin', no sir, no dancin' today.
se encontrar e se dar um perdido:
- olha, fica aí que eu já volto. só vou ali comprar cigarros.
- mas você não fuma!
- espera que eu já volto!
found out i was losing my mind
como fugir se sou eu que me espero?
- é só deixar a outra pra trás. vai com a que foi!
is the music to blame?
la rage qui monte le coeur et les yeux e vira ira, possessão do estômago virar do avesso, e o coração parar de bater, e os ouvidos não escutarem mais. de la tête aux pieds, ton corps ne te répond plus: só ele.
if you feel it, let it happen, i'm not alone.
da lhama quero só uma gota. quem sabe um quarto de dietilamida do ácido lisérgico.
fico com o som bem alto - i'm on the right track baby - direto nos ouvidos. tudo virando uma grande bola de nada num grande buraco negro mental chamado universo.
at this point i gotta choose, nothing to lose.

talvez um pouco de leveza... but i don't really care about,
i-i-i wanna go-o-o all the wa-ay-ay... wo-oh-oh!

27/06/2011

perder-se


pressão nos canos. da fresta sai gotinha. desgarramento sem hora. essa coisa chamada ansiedade. aquela outra coisa chamada música. e ainda a coisa picasso. tudo me desconcentrando. fui apresentada a um quadro. antigo meu, conhecido de outros tempos, depois mesmo de tê-lo dentro de mim. lembrava daqueles olhos. aquele vazio que me revirava as entranhas há anos. anos buscando a resposta da pergunta que não foi feita. vi o vazio olhando pra mim em carne, o mesmo vazio de picasso em tinta. que beleza um quadro vivo. que beleza! ia escrever sobre os surtos, sobre a lágrima, sobre a gotinha de sentimento desgarrada do ser de dentro, sobre a fome, sobre a desconcentração. mas a beleza tem um que de sobrevivência.