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07/02/2022

08/08/2014

journal BXV

eu poderia passar a tarde toda naquele banco, desenhando árvores nos meus sonhos. o vento seco faz trincar a pele. a folhinha rola na pedra, tem som de besouro. volto pelo caminho das azaléias. sinto que falta alguma coisa. o celular, meu amigo, minha companhia de almoço. ele, mais sábio do que eu, demorou-se mais por lá. fui buscá-lo sem medo de sujar o sapato na lama ou de levar uns pingos de chuva da torneira vazante. não desço os olhos do céu. o pássaro negro, enorme, plana lento, quase imóvel, no azul. é como a morte. volto pelo caminho das azaléias. o vento seco faz arder os olhos. antes de entrar no escritório, visto o casaco para guardar o sol.

26/01/2013

love remembered

se ignorando e se sabendo, passaram um ao lado do outro. eles eram apenas mais uma história no caderno.

28/07/2012

a thing of beauty is a joy forever

na nossa história de amor nós moramos em todas as cidades e falamos todas as línguas, porque o amor não tem lugar. e um dia dura uma vida inteira, porque o amor é tempo sem hora. que me importa se as palavras são vazias? eu me alimento do silêncio.

19/06/2012

uma aprendizagem

certo, guardarei seu silêncio como uma lição. e me calarei também. com uma taça de vinho, esperarei pelo tempo. fique, more dentro de mim, destrua tudo que conseguir, deixe apenas o corpo. o tempo e o vinho darão conta das coisas. sozinha, perdida no vazio, a saudade também cansa. eu hei de te esquecer.

27/07/2011

choses du coeur

essa paz que não se sabe d'onde vem nem pronde vai. é amor ou não mais amor? é silêncio? é noite? pasmaceira corpo sono tepidez, coisalma parada. faltânimo. e esse querer ser outra coisa que não sei se sou. procura-se-me. procura-se-me essa coisamor. coisa coração é coisa indomada.

22/05/2011

dessas coisas que não tem rima nem solução

vou escrever pra você. porque é você que está no meu coração. ainda que eu não saiba o que dizer, a vontade de falar me faz escrever pra você. porque é você que está no meu coração. queria a leveza dos seres nuvem. queria a paz dos seres silêncio. queria a segurança dos seres certeza. mas há loucura. o suficiente pra chover, gritar e não saber mais. te perdoo, te amo, te odeio, te perdoo. te amo? te odeio? te perdoo? uma musiquinha aqui pra disfarçar. uma comidinha ali pra esquecer. um texto assim pra consolar. vou escrever pra mim. porque você está no meu coração. ainda que eu não saiba o que dizer, a vontade de falar me faz escrever, pra mim. porque o coração é meu.

02/04/2011

da esperança renovada

essas idas e vindas da vida... que cara de menina que essa menina tem! ela sonha com o mundo... posso ver na sua loucura. soltou suas asas e agora, só os parafusos no chão. faz sorrir meus olhos mergulhados em graça. faz subir como as bolhas para tomar fôlego. a cortina dança para a janela que esquece da paisagem. o piano dorme ao fundo, embalado em silêncio. os colares tilinteiam na madeira e o sol desnuda o vidro em vultos de cor. os pássaros? ah, que amor de pássaros... andorinhas de fraque e cartola se enroscando em fitas amarelas. oitenta centavos o metro em algodão. já posso ver a ponta que desfia... próxima vez fico com o cetim. romantismo barato!

13/03/2011

uma ultima volta na praia

tudo aquilo que não foi dito
toda escolha não feita
todo constrangimento
amor, raiva, tristeza, saudade
tudo aquilo que não resume
concentrado, explodindo
no silêncio de um olhar

22/12/2010

feliz natal

toc toc toc toc
toc toc toc toc
a rua vazia
toc toc
branca
das lampadas que me dividem
em três
toc toc toc toc
a boca seca
toc toc
do álcool
toc toc toc toc
a rua vazia
toc toc
branca
das lampadas que me dividem
em duas
toc toc toc toc
a língua escura
toc toc
como o sapato
toc toc toc toc
a rua vazia
toc toc
branca
das lampadas que me dividem
toc toc toc toc
os lábios ardem
toc toc toc toc
toc toc toc toc
filho da puta