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11/07/2011

da fraqueza da carne

pense nas franjas da tua bolsa, no azul da tua água, nas flores do teu lenço e todo mal passará. a indecência do tempo há de se colocar atrás dos olhos, onde não se pode ver.

18/04/2011

do piano e da respiração

a cada oitava você me perde uma nota. a cada tempo o olho abre, o olho fecha. e cansa, e mente, e esquece.

a lua me espia da janela. me vê, me lê, me constrange, me paquera, me seduz. nua lua.

a música vai tocando. a voz ecoando. no oco da cabeça, como se uma banda inteira ensaiasse perdida dentro de mim.

a loucura mata, o tempo mata, o amor morre.

a cada oitava eu dou um passo. pra frente ou pra trás?

das escolhas feitas, só nos resta viver.

nada será igual, nunca mais.

nós seremos sempre sozinhos

e ainda assim...

07/04/2011

e eu aqui, sentada nessa montanha russa

aquela ansiedade. aquele medo de morrer. aquela certeza de que isso não pode estar certo. o mundo dos altos e baixos. loopings sem fim. perc'o centro. pressão na cabeça. grito. grito. grito. o tempo suspenso naqueles trilhos que passam, tão rápido! grito mais. o coração pra saltar dos olhos. nada parece real. grito ainda. sem voz. coração ainda. tão rápido! pressão ainda. pra que? por que? aaaaaaaarrrrrrgggghhhhhhhh!!!! rio desesperadamente.

05/12/2010

ouriço do mar

e essa sede tão estranha... quis arrancar meu útero com os dentes. meu útero bicorno.  foi uma coincidência eu trocar meus órgãos de lugar? o pequeno epíploon pulsando. a mariposa farfalhando. presa dentro do copo, presa dentro de mim. e o veneno destilando. sonhei que era perseguida por um leão e mordida por uma cobra. tive medo de morrer, acordei. freud explica. aqueles narizes naqueles pescoços: mariposa na lâmpada. aquela alegria, aquela raiva, aquela tristeza. aquele medo e o amor, tudo junto e misturado. eu quero gavetas! eu quero separadores de gavetas! eu quero caixas e etiquetas! cabides! quero organizar meu quarto! meu armário!! minha cabeça!!! e aí eu pensei em maneiras de mudar minha vida. fiquei na dúvida entre dormir, acordar e fingir que tudo não passou de um sonho, e falsear minha morte, mudar de nome e de país. me disseram que eu era um ouriço do mar. lembrei da maldade infantil, que tirava sangue junto com o leite da mãe. pensei no derrame cerebral, na inundação do mundo. e aí a noite acabou. acordei na hora em que cheguei no instituto butantan. talvez devesse me chamar Luisa.