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23/01/2014

das noites sem estrela

fui para o jardim. olhei para cima, a sua lua não estava lá. era noite escura sem estrela. fechei os olhos. tomei uma chuva fina ao seu lado. quando os abri, outras luzes iluminavam o céu.

16/10/2013

FNX II

a nuvem era uma pepita de ouro. o pássaro, no fundo do olho, anunciou: morrer era tomar um banho quente no escuro. mas a musica me dizia que tudo daria certo, que o coração, há muito deslembrado de si, aprenderia de novo a dizer eu te amo.

31/10/2012

portas e janelas

eu pensei na pele que enruga, no tempo, e na água. quis escrever um journal inteiro sobre o amor, mas as palavras me vestem melhor por dentro. lembrei de um poema antigo e querido que é sempre novo. meus poemas-oração. quando a música tocou, me vi em paris, naquela cidade que só existe nos meus sonhos. sonhos de vidro. sonhos de flor queimados no papel, cobertos de nuvem e saudade. quis brigar com o coração porque ele ainda não aprendeu a fechar a porta. quis chorar o desencontro, mas o silêncio me manteve quieta. eu também esqueço as janelas abertas... e é por elas que entram a luz, a chuva e o vento.

21/06/2012

like wild horses over the hill

queria escrever sobre alguma coisa bonita pra comemorar. pra acreditar. nos arquivos só tristeza, choro e saudade. que tudo se exploda! que é dos fantasmas que eu me alimento. o dente, a fruta, o cheiro. veneno. tudo é pipoca. nuvem. tudo é água, tempo e silêncio. eu aprendo, eu aprendo. e é correndo que eu chego lá.

01/11/2011

19/06/2011

sonhos não, fome de mundo

ouvi uma música que me dá vontade de ser amor puro. de me abrir em luz, rasgando pele, cegando mundo. vontade de seguir uma diagonal de déboulés infinitos no boulevard de chenonceau, de correr como maria antonieta pelos corredores de versailles ou ainda de mergulhar lentamente naquele rio gelado onde virginia woolf pensou uma última vez. quero ver todos os filmes, ler todos os livros, ouvir todas as músicas, escrever todos os poemas, morar em todas as cidades, ser todos os personagens, viver todas as histórias, ter todos os amantes, e um só grande amor pra sempre.

15/05/2011

meio de maio

descobrir tesouros guardados e esquecidos no fundo de um armário. #ameliepoulainfeelings. ter um fim de tarde digníssimo com as amigas. chorar as mágoas, destilar o veneno, sofrer o amor. ler poesia e horóscopo, beber vinho, champanhe, coca-cola, comer pipoca e brigadeiro, ser linda, sempre! e na noite errante, errar nômade, bater de porta em porta até acertar a casa certa. voltar naquele limiar do dia, quando ainda é noite e não mais. se sentir jovem e velha. dormir com uma vista de marie antoinette pintada por van gogh: um lago cinza azulado, emoldurado de árvores negras e um horizonte roxo acinzentado pingado de pontos amarelos, logo acima faixas de amarelo gema, lilás, magenta, verde menta pastel dissolvendo num azul cor de lago. uma nuvenzinha cinza e baça no alto, assim, meio se desmanchando... e em um movimento, no tempo de uma frase, nuvens cor de espumante se comprimindo até virarem uma grande massa rosé cortando o céu em faixa. uma música fim de festa sujando o silêncio da aurora e uns passarinhos arriscando timidamente anunciar o início do fim da semana.

02/04/2011

da esperança renovada

essas idas e vindas da vida... que cara de menina que essa menina tem! ela sonha com o mundo... posso ver na sua loucura. soltou suas asas e agora, só os parafusos no chão. faz sorrir meus olhos mergulhados em graça. faz subir como as bolhas para tomar fôlego. a cortina dança para a janela que esquece da paisagem. o piano dorme ao fundo, embalado em silêncio. os colares tilinteiam na madeira e o sol desnuda o vidro em vultos de cor. os pássaros? ah, que amor de pássaros... andorinhas de fraque e cartola se enroscando em fitas amarelas. oitenta centavos o metro em algodão. já posso ver a ponta que desfia... próxima vez fico com o cetim. romantismo barato!

17/03/2011