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Mostrando postagens com marcador saudade. Mostrar todas as postagens
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09/01/2015

exit, please!

choro seco por dentro. a lágrima hoje já salta fria do olho. como eu fui deixar você entrar tão longe assim dentro de mim? quantos anos mais até você encontrar a porta da saída?

27/11/2014

19/09/2014

o tempo passa? não passa

o tempo passa? não passa. e se amanhã ainda for cedo para dizer eu te amo, mandarei trazer carlos do além para nos lembrar que sempre é tempo de amar, e que o tempo é nosso. façamos o tempo, revoada, folha no vento! é possível amar as pedras, mas sozinho, porque das pedras só vem silêncio. amor simples do dia a dia brota da terra sem pingo d'água ou fio de sol. está lá, sempre esteve, esperando o tempo de nascer. é coração redescobrindo infância verde e viva.

o tempo passa? não passa. à meia noite te chamarei de amor. e num domingo preguiçoso seguro a página do seu livro para que você possa me fazer um cafuné enquanto lê. vou dormir ao som do papel no dedo, o movimento do teu sopro embalando meus sonhos.

07/08/2014

lagrimundo

a minha saudade já não cabe nas palavras
não cabe no meu corpo, não cabe nesse mundo
não caberia nem em uma vida

cabe apenas em uma lágrima

15/04/2014

feitiço para conceber fantasmas, ou poema para a lua

em noite de lua sangrenta, 
sobre terra fértil e molhada ainda da chuva,
pousa teus pés descalços 

ouve o som que o vento leva
que o silêncio é a voz da saudade

em noite de lua sangrenta, 
com a unha do gato, negro como o céu 
sob o qual te escondes,
fura o dedo

e derrama teu coração
quente, vermelho, e vivo 

como foi o amor um dia

em noite de lua sangrenta,
com voz de cigana,
canta o nome
três vezes,

que do recôndito mais oculto da carne 
ele ressurgirá.

12/03/2014

im traum verpasst

em uma noite demoníaca
dessas
em que o vento sopra maldições
nos recônditos mais sombrios
das mentes perturbadas,
você me apareceu em um sonho.

voltava cheio de promessas


e eu acreditava. 

o gozo IV

o gozo desceu o corpo
molhou cabelos,  rosto
e coração.
como lágrimas quentes
foi te varrendo para dentro,
cada vez mais querido.

23/01/2014

das noites sem estrela

fui para o jardim. olhei para cima, a sua lua não estava lá. era noite escura sem estrela. fechei os olhos. tomei uma chuva fina ao seu lado. quando os abri, outras luzes iluminavam o céu.

07/01/2014

das mil cartas de amor do tempo

meu caro senhor,

a certeza dentro de mim é tão grande que nem toda turbulência do mundo me dirá que estou errada. os abutres contornando o céu prenunciam tempestade. sim, a que nós criamos e que agora nos consome. a que eu criei e que agora me consome. talvez seja isso afinal. eu não vi o raio que nos, que me partiu. todo dia eu penso nas mil cartas de amor que te escreveria, que te escrevo diariamente. toda noite eu durmo esperando raiar o dia em que não te verei mais nos meus sonhos. 

todo dia é dia do teu nome, é dia do teu rosto. te dedico cada hora, cada minuto, e se por um acaso me deslembro, é o tempo que você precisa para ser mais um pouco dentro de mim.

mas algumas musicas me desenterram de você, te desenterram de mim. me vejo cravando os dedos no coração, enchendo as unhas de terra e te puxando lá de dentro, rasgando pele, me salvando. e é durante essas notas que eu retomo meus minutos, minhas horas, minha memória, uma a uma, gota a gota.

e ainda que cada linha, cada corda arrebentada, cada letra molhada, sejam para você, e serão até eu esquecer, eu sei que é o tempo quem conta as histórias. então sento na pedra, os pés dentro d'água, e espero o vento levar sua sombra. eu sei que o sol já não queima, então sento na pedra, os pés dentro d'água, e espero o vento levar sua sombra.

19/11/2013

25/10/2013

gota a gota, eu me livrarei de você

cada vez que eu chorar
cada lágrima fria
será uma parte de você
saindo de dentro de mim

gota a gota
eu me livrarei de você

04/09/2013

journal BXVIII

o dia amanheceu sépia. acho que foi a saudade, ou talvez meu sonho que se esqueceu de acordar.

08/08/2013

journal FXXIV

penso no desregramento, busco meu perdão, mas a uva sussurra no meu ouvido: ...  desejo  ...  é sierva maria que está ao meu lado. cavo a fruta com o dente verde. goza a gota de veneno, goza a língua, cada vez mais molhada. penetra lentamente, fura a carne, desmancha a boca. carlos estaria orgulhoso. 

foi o vento trazendo flores queimadas em delírio, esse vento que leva ao esquecimento, que sopra em direção ao mar, que me trouxe de volta do mergulho profano. mas era o afogamento nas idéias que me faltava. escrevê-las é a minha redenção.

sonhei que nadava com minha mãe em um rio de crocodilos, que dentro do saco de comida se instalavam milhares de casulos de vermes gordos, que pintava flores em tela e corpo. éramos amantes perfeitos. os óculos se quebravam em um abraço, e os olhos abriam de saudade.

caminhei pela ilha deserta em busca de uma praia perdida. um coelho branco me mostrou o caminho. encontrei um pedaço d'água. lavei meus pés do pecado, mas a videira vingava no meu coração, tinha sede. molhei o corpo até a barra do vestido, depois sentei-me em uma pedra para secar: o sal conservaria as idéias. deixei que o mesmo vento que vencia as borboletas me levasse de volta para casa.

estava meio assim, mas enchi de graça com a praça vermelha. praça do sol deveria ser seu nome. enquanto a pedra ardia, a água era azul cor de olho, as mulheres tinham o corpo livre, e os palhaços beijavam mãos vazias. lugares lindos transformam terças feiras em sábados. foram tantos cheiros... porque tantos cheiros? viajei com cleópatras e angélicas. o amor me acompanhou, venceu fronteiras agarrando-se na janela de um trem.

o terço pendia do pescoço da mulher de gordos seios. era a fé que penetrava nos recônditos da carne. mesma carne essa que sonhava o vitrinista ao vestir o manequim. mesma carne essa que envenenava meu dente.

a subversão trouxe a menina vestida de céu. eu poderia passar horas contando as estrelas de seu corpo. cheirava a lavanda e a papel. voltou, abriu o livro, abriu o olho: a cidade que lhe falta não existe. é feita de saudade, tem cheiro de chuva e cor de tempo. está dentro dela. é uma quimera.

25/02/2013

das tintas que mancham

a noite chorou de saudade, molhando a rua e transformando o vidro da janela num céu cheio de estrelas. escrevi meu amor na palma da mão que era pra guardar na pele.

26/01/2013

love remembered

se ignorando e se sabendo, passaram um ao lado do outro. eles eram apenas mais uma história no caderno.

14/01/2013

journal FXVII

journal ontem, journal hoje, journal sempre


21/12/09
Ois people,

Aqui no RU da cité universitaire por vezes tem uns mendigos que almoçam. Não são esses mendigos bebados do metro, são uns velhos de muleta com sacolas, que vira e mexe estão por lá. Hoje me sentei ao lado de um deles, sabendo das possibilidades de uma puxada de conversa. Dito e feito. O sr já me desejava um bom apetite. Aqueles assuntos básicos, de onde eu era, o que eu fazia. Deu sua opinião sobre o cinema, disse que antigamente ia muito à cinemateca. Gostava de Buñuel. Disse que se ganhasse na loteria iria pro Brasil ver a copa do mundo. Neve na Espanha, o bom clima das Ilhas Canárias, contou sobre sua família, voltaram todos para a Espanha. E ele ficou. Sozinho. Quando apertei sua mão na despedida, estava de luvas. Me arrependi de não ter tirado antes para sentir a pele grossa e velha. Senti que meu aperto de mão enluvada deixava ele na mesma solidão que a de 30 minutos antes. Um toque sem tato.

A maioria dos doidos de Paris não passam de pessoas carentes de atenção. O frio e a cultura afastam os corpos e as almas umas das outras. Todo mundo aqui é carente em algum nível. Ninguém se abraça, ninguém se tem. Os mendigos são só mais alguns sozinhos no mundo. Talvez só um pouco a mais do que os outros. Uma vez eu estava no ônibus e sentou uma doida do meu lado. Alguma coisa em mim atrai os doidos, acho que é o cabelo. Eles olham pra mim e já vem pra perto conversar. Então, uma vez eu estava no ônibus e sentou uma doida do meu lado. Ela gritava coisas com um sotaque africano pesado. Não conseguia entender muito. Começou a falar comigo. E falava, e falava... falou de psicóticos, e de mais num sei o que, que eu só entendia quase nada, balançava a cabeça concordando sempre, sorria de vez em quando. Depois que ela teve seu minuto de atenção, começou a me agradecer de um jeito tão sincero, e até constrangedor, porque eu não entendia o que tinha feito por aquela mulher. Pegou na minha mão, beijou e agradeceu mais uma vez. As pessoas são muito sozinhas nesse mundo.

No RU daqui da cité também tem um passarinho. Um pardal. Ele ficava sempre olhando pra fora da janela piando triste. Piiiiuuuuu piiiiuuuu. Numa solidão! Ficava preocupada por ele. Achei ainda que ia morrer de depressão. Até que n'outro dia tinha mais um pardalzinho por lá. Me tranquilizei. O tempo passou, um deles engordou. Agora sentam os dois, cada um de um lado da janela, olhando pra fora e piando triste. Piiiiuuuuu piiiiiuuuu piiiiuuuuuu piiiiiuuuuuu.

Semana passada eu tinha ido muitas vezes sozinha ao cinema. O cinema é sempre um lugar problemático para os casais ou grupos de amigos, porque sempre sobram cadeiras sozinhas pingadas pela sala. As pessoas, no seu minuto fóbico, pulam uma a cada outra desconhecida. Assim, numa mesma fileira temos 3 cadeiras, uma em cada canto, separando as pessoas - tanto as já sentadas, como as que gostariam de se sentar. No final, a sala escura acolhe todos os solitários, e a tela viva faz esquecer que somos pingos de solitude, aqui e ali, e que a pessoa ao lado também está sozinha.

Nesse fim de semana não fui nenhuma vez ao cinema. Fiquei trabalhando, tentando escrever coisas que fizessem sentido, afundada em pilhas de papel, livros, etc... Quer dizer, como salvei esse email no rascunho para continuar escrevendo ao longo da semana, essa frase já está errada. Fui hoje no cinema ver Max and the Maximonsters. Um filme estranho, meio deprê, meio amedrontador, mas bonito ao mesmo tempo. Falava de um menino que se sentia sozinho. Agora também já estou de férias, ou melhor, fericas, até o dia 4, quando sigo algumas provas. A próxima pausa é em fevereiro. Aqui o ano escolar é picotado em fericas.

Essa semana também nevou. Era o que faltava para o natal. Só que no primeiro dia em que nevou eu estava 1 hora atrasada para um compromisso, então meu primeiro contato com a neve em 5 anos pode ser resumido no medo de escorregar e cair (porque eu corria loucamente) e no frio. Levei muita nevada na cara. Cheguei no compromisso sem conseguir nem falar. No final das contas deu tudo certo, cortei meu cabelo, fiz até penteado, e no final do mês chega um dinheirinho pelo correio. Não, papai noel não mudou de método, é que eu passei num casting mesmo, para a Schwarzkopf. Eu vinha tentando sem sucesso já fazia alguns meses, até que minha sorte deu uma virada e eu passei em 2 seguidos! Fotos no orkut.

Sexta teve festinha de aniversário de um amigo do Clement. Sentei na mesa com as mulheres. Depois de um tempo contando sobre minha vida (a única coisa que se faz em eventos sociais) fui tentar furar a rodinha dos meninos. Depois de um minuto a rodinha se desfez. Voltei para o grupo feminino, conformada, desta vez no sofá. O apartamento era um luxo. Preguei os olhos numa gravura. Reconheci o traço, mas não quis acreditar. Firmei o foco e lá estava o nome, inconfundível, Picasso.

Sábado teve festinha aqui em casa. Saquei minha super lista de contatos do celular. Contei 19 pessoas. Destas fazia sentido chamar umas 8. Nossa, uma super festinha! Só que 2 viajavam, 3 deram um bolo (ou como eles dizem por aqui - no melhor portucês, ou ainda franguês: "puseram o lapan". pra quem reclama a língua verdadeira e original, antigamente reconhecida como a dos nobres, a expressão vira "poser le lapin"), voi-là! No final é tudo bolo pra gente. Ainda assim, com meus 3 convidados resistentes, bebemos 2 garrafas de vinho (como os bons franceses que secam garrafas e garrafas em minutos), um gole para cada da boa e velha xiboca, que era presse povo conhecer a boa mistureba brasileira, e ainda um copinho de caipirinha*. Aí tivemos que parar por causa da hora e dos transportes. Descendo as escadas com a Moldaviana** convidada, ela me dá o prazer dizendo "Essa bebida que você me deu me deixou uuu!" Haha genial! A outra convidada era a vizinha brasileira, então não conta, e a terceira era uma francesa dorminhoca, que quase dormiu no sofá, mas estiquei a cama e, segundo ela mesma, "dormiu como um bebê". Acho que o saldo foi positivo.

Hoje estou aqui, passando frio e fome. Mamis viajou e a casa está vazia. De pessoas e de comida. Estou vivendo a base de madeleines (bolinhos), bananas e suco de laranja. Ainda bem que ela chega amanhã!

Essa semana, como a neve já anunciou, também é o natal! E como não é preciso ser nem mendigo nem passarinho para ser sozinho, aqui em casa vamos ter a ceia dos desmamados, ou ainda, a ceia dos despatriados. Uncle vem com Vitor John representar a família; Zé; Mamis; Eu; Aí tem a filha duma amiga da minha tia (que esse mundo ovico fez questão de me cruzar no caminho); E talvez um colega da aliança francesa (que esse mundo ovico também fez questão de me cruzar no caminho)... Todo mundo acolhido no natal dos abandonados. Minha contribuição para a ceia foi a farinha (da futura farofa) e o guaraná! Sim, em Paris também tem guaraná, o original do Brasil, na lojinha "Coisas do Brasil" mais próxima da sua casa! Quanto ao ano novo, o plano é que os amigos do Clement me acolham. Era eu a desmamada, abandonada, despatriada, sem amigos, nem programação, contando minha miséria para as meninas do sofá, quando elas se comoveram, e fizeram questão de me incluir nos planos da virada parisiense (que pelo jeito não é a melhor do mundo, por incrível que pareça).

Bom, então, pra não me prolongar muito, já me prolongando um pouco mais, ficam nessas linhas os meus votos natalinos para todos vocês, meus queridos amigos! UM LINDO NATAL, CHEIO DE LUZINHAS, PRESENTES, COMIDA BOA, CALOR, AMIGOS E FAMÍLIA POR PERTO! Para o ano novo, como a saída do journal agora é um mistério, ficam meus votos de MUITA SAUDE, ALEGRIAS E REALIZAÇÕES EM 2010! E agora vem a frase final de declaração que é pra terminar o email no clima da partilha dos sentimentos, no clima de comunhão, porque a verdade é que aqui ninguém é passarinho, nem mendigo, nem sozinho nesse mundo nevento.

Um grande beijo cheio de saudades pra todos! Amo muito vocês! E se não antes, até o ano que vem!!!

Ps*: pai, eu não sou alcoolatra.
Ps**: quem mais não sabia da existência da Moldávia? _o/