já faz um tempo que a noite não tem estrelas.
o silêncio da casa indica que tudo está em seu lugar
mas em algum canto da mente escura brilha uma luz:
é um sonho.
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07/02/2022
19/09/2014
o tempo passa? não passa
o tempo passa? não passa. e se amanhã ainda for cedo para dizer eu te amo, mandarei trazer carlos do além para nos lembrar que sempre é tempo de amar, e que o tempo é nosso. façamos o tempo, revoada, folha no vento! é possível amar as pedras, mas sozinho, porque das pedras só vem silêncio. amor simples do dia a dia brota da terra sem pingo d'água ou fio de sol. está lá, sempre esteve, esperando o tempo de nascer. é coração redescobrindo infância verde e viva.
o tempo passa? não passa. à meia noite te chamarei de amor. e num domingo preguiçoso seguro a página do seu livro para que você possa me fazer um cafuné enquanto lê. vou dormir ao som do papel no dedo, o movimento do teu sopro embalando meus sonhos.
12/03/2014
im traum verpasst
em uma noite demoníaca
dessas
em que o vento sopra maldições
nos recônditos mais sombrios
das mentes perturbadas,
você me apareceu em um sonho.
voltava cheio de promessas
e eu acreditava.
dessas
em que o vento sopra maldições
nos recônditos mais sombrios
das mentes perturbadas,
você me apareceu em um sonho.
voltava cheio de promessas
e eu acreditava.
04/09/2013
journal BXVIII
o dia amanheceu sépia. acho que foi a saudade, ou talvez meu sonho que se esqueceu de acordar.
08/08/2013
journal FXXIV
penso no desregramento, busco meu perdão, mas a uva sussurra no meu ouvido: ... desejo ... é sierva maria que está ao meu lado. cavo a fruta com o dente verde. goza a gota de veneno, goza a língua, cada vez mais molhada. penetra lentamente, fura a carne, desmancha a boca. carlos estaria orgulhoso.
foi o vento trazendo flores queimadas em delírio, esse vento que leva ao esquecimento, que sopra em direção ao mar, que me trouxe de volta do mergulho profano. mas era o afogamento nas idéias que me faltava. escrevê-las é a minha redenção.
sonhei que nadava com minha mãe em um rio de crocodilos, que dentro do saco de comida se instalavam milhares de casulos de vermes gordos, que pintava flores em tela e corpo. éramos amantes perfeitos. os óculos se quebravam em um abraço, e os olhos abriam de saudade.
caminhei pela ilha deserta em busca de uma praia perdida. um coelho branco me mostrou o caminho. encontrei um pedaço d'água. lavei meus pés do pecado, mas a videira vingava no meu coração, tinha sede. molhei o corpo até a barra do vestido, depois sentei-me em uma pedra para secar: o sal conservaria as idéias. deixei que o mesmo vento que vencia as borboletas me levasse de volta para casa.
estava meio assim, mas enchi de graça com a praça vermelha. praça do sol deveria ser seu nome. enquanto a pedra ardia, a água era azul cor de olho, as mulheres tinham o corpo livre, e os palhaços beijavam mãos vazias. lugares
lindos transformam terças feiras em sábados. foram tantos cheiros...
porque tantos cheiros? viajei com cleópatras e angélicas. o amor me
acompanhou, venceu fronteiras agarrando-se na janela de um trem.
o terço pendia do pescoço da mulher de gordos seios. era a fé que penetrava nos recônditos da carne. mesma carne essa que sonhava o vitrinista ao vestir o manequim. mesma carne essa que envenenava meu dente.
a subversão trouxe a menina vestida de céu. eu poderia passar horas contando as estrelas de seu corpo. cheirava a lavanda e a papel. voltou, abriu o livro, abriu o olho: a cidade que lhe falta não existe. é feita de saudade, tem
cheiro de chuva e cor de tempo. está dentro dela. é uma quimera.
24/05/2013
11/04/2013
07/02/2013
o tempo e a morte eram apenas mais uma história no caderno
a nuvem era um fio de luz, um raio cortando o céu da manhã. o amor era um beijo no rosto, e a beleza era para sempre
21/01/2013
01/12/2012
sonho ou pesadelo?
mariposa no meu quarto. saiu da minha cabeça. mariposa farfalhando. era saudade, medo, e desejo. dei-lhe um tapa com um livro. caiu na fenda escura do incerto. pobre mariposa... presa dentro do copo. presa dentro de mim
31/10/2012
portas e janelas
eu pensei na pele que enruga, no tempo, e na água. quis escrever um journal inteiro sobre o amor, mas as palavras me vestem melhor por dentro. lembrei de um poema antigo e querido que é sempre novo. meus poemas-oração. quando a música tocou, me vi em paris, naquela cidade que só existe nos meus sonhos. sonhos de vidro. sonhos de flor queimados no papel, cobertos de nuvem e saudade. quis brigar com o coração porque ele ainda não aprendeu a fechar a porta. quis chorar o desencontro, mas o silêncio me manteve quieta. eu também esqueço as janelas abertas... e é por elas que entram a luz, a chuva e o vento.
29/10/2012
24/09/2012
05/09/2012
do segredo e do engano
escrevi mil versinhos sobre tua beleza, sobre teu silêncio de
estátua. dediquei cada letra, cada minuto, cada palavra a cada ruga,
cada poro, cada pelo teu. mas amo sozinha, em segredo. sei que teu coração mora em outro. a vida é assim, não é? joão amava teresa que amava raimundo que amava maria que amava joaquim que amava lili que não amava ninguém. quando vejo teu mundo girando tão longe e feliz, teu mundo que já foi meu sol, quantas coisas me afogam... quantos quereres e dúvidas. todo dia oro os ensinamentos de clarice, mário e hilda. todo dia te odeio por não me amar. e te perdoo. sim, eu preencho meu tempo e meu coração com outros amores. sim, é possível continuar e ser feliz. mas no silêncio, no escuro, quando o vazio volta - e ele sempre volta - é com você que eu sonho. é o teu nome que a saudade grita. não era a minha vez, eu sei. a gente pensa que engana, e engana, mas a si mesmo.
25/08/2012
estrela, estrela!
estrela, estrela! eu sei que estás aí! posso sentir o bafo quente do teu suor. estrela, me escuta! é que a minha saudade já não cabe dentro de mim. e essa sede... essa sede que não seca! dá-me um pouco d'água, dessa que escorre da tua pedra. teu sal com certeza é mais doce que o da lágrima.
15/08/2012
12/08/2012
todas as noites você vem me visitar...
todas as noites você vem me visitar...
reencontro e descoberta
perdemos o dia de vista...
nos meus sonhos não existe tempo, nem saudade
12/07/2012
journal FXII
procurando o journal número 12 para postar aqui, redescubro que ele nunca existiu. sim, nunca existiu, porque deveria existir apenas hoje, 12 de 2012, dia em que volto para Paris, dois anos depois que parti. volto para uma vida que já não é mais minha. volto para um passado que agora é futuro. volto para mim. para me reencontrar essa página em branco. welcome ghosts!
21/05/2012
journal BVII
a cidade amanheceu entrenuvens, como se ainda dormisse... nós éramos parte do seu sonho.
29/04/2012
amor ou buraco negro
nós nos encontrávamos no meio de uma nebulosa. e éramos pura luz. mas no meu sonho de estrela, você era supernova.
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