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12/03/2014

im traum verpasst

em uma noite demoníaca
dessas
em que o vento sopra maldições
nos recônditos mais sombrios
das mentes perturbadas,
você me apareceu em um sonho.

voltava cheio de promessas


e eu acreditava. 

24/05/2013

pelo que você volta para casa?

meu caro,

domingo vou nascer com o dia. explodirei no céu, pois os fantasmas estão chegando. que sejam bem vindos! que venham, e tragam a catástrofe e a cura. por dentro tudo ainda parece o mesmo, mas a boca do oceano me diz que não. é natural ter medo, será meu último dia como criança, meu único momento sozinha. como é estranha a inocência... mas eu sei que mesmo com as mãos trêmulas... olhe o ar e veja que o tempo pára. que venham, e me deixem entrar. e depois de viver mágicas horas, a lua já baixa, sobreviverei a boa morte. só então, expirarei o primeiro sopro depois do coma. 

cuide-se, cuide-se, cuide-se. lembre-se de mim como um momento no seu dia. me mande um postal para que eu sinta a sua mão na minha, para que eu sinta saudade de repente

29/01/2013

journal BXIV

terça feira, vinte e nove de janeiro de 1930, 12:50 | deixei meu coração na fila do bandejão com um músico judeu.

30/11/2012

journal FXV

hoje, revirando alguns papéis,


19/11/09

Ois saudosos,

O journal de hoje vai mesmo só pra ir, apenas com os relatos superficiais na medida do físico. Tudo porque o tempo não pára. Sábio Cazuza. Aqui já é tarde e amanhã cedo parto en voyage para Lyon.

De curiosidades essa semana teve a exposição de jóias do Dali. Valeram as esculturas em bronze e as ilustrações; valeu descobrir sua religiosidade e seu amor incondicional pela sua mulher Gala; valeram algumas frases de efeito como "as jóias deveriam ser inutilisáveis", e ver uma xícara que foi projetada para não ser usada. Também fui numa exposição de um homem que descobriu a cor na tinta preta. A ideia era até boa e funcionou em muitos casos, mas depois que fiz as contas e percebi que ele passou 50 anos da vida dele produzindo a MESMA coisa, lembrei do Picasso e fiquei com preguiça. Também teve uma exposição de fotografias dos surrealistas que foi bem legal. Eram umas fotos mais experimentais, mais íntimas da vida dos famosos, e de outros nem tão. Também teve o de sempre: cinema. Benditas carteirinhas motivadoras. Também teve o de nunca: museu da historia de Paris. Valeram os quadros que retratam o início da construção da cidade. Paris também já foi mato, já foi interior, já foi nada. Também teve o showzinho de blues e folk. Era num lugar meio buraquento, mas bem tranquilão. Para os curiosos /marioncorralesmusic  e /heygarçons. Também tinham outras tantas coisas que eu queria contar, como a dança da sombra das árvores nas fachadas dos prédios e as folhas passarinho, mas também tem o tempo, que não pára. 

Entón vos deixo, com a música latejando muda na cabeça.

Bisous

31/10/2012

portas e janelas

eu pensei na pele que enruga, no tempo, e na água. quis escrever um journal inteiro sobre o amor, mas as palavras me vestem melhor por dentro. lembrei de um poema antigo e querido que é sempre novo. meus poemas-oração. quando a música tocou, me vi em paris, naquela cidade que só existe nos meus sonhos. sonhos de vidro. sonhos de flor queimados no papel, cobertos de nuvem e saudade. quis brigar com o coração porque ele ainda não aprendeu a fechar a porta. quis chorar o desencontro, mas o silêncio me manteve quieta. eu também esqueço as janelas abertas... e é por elas que entram a luz, a chuva e o vento.

12/07/2012

journal FXII

procurando o journal número 12 para postar aqui, redescubro que ele nunca existiu. sim, nunca existiu, porque deveria existir apenas hoje, 12 de 2012, dia em que volto para Paris, dois anos depois que parti. volto para uma vida que já não é mais minha. volto para um passado que agora é futuro. volto para mim. para me reencontrar essa página em branco. welcome ghosts!

11/07/2012

journal FXI

e como cabe ainda no dia de hoje...


20/10/09
Ois caros!

Como eu disse há algumas horas para o jom (antes de sair para minha crucificação): "se tudo der certo e eu voltar inspirada, escrevo o journal ainda hoje". Dito e feito. Cá estou eu, firme e forte, e logicamente não crucificada, na décima primeira edição do semanário. Então torçam pra que eu me lembre de todos os detalhes que minha memória ousa esconder de mim, pra que esse email tenha valido sua existência. Há o pequeno contratempo do subdesenvolvimento do meu cérebro que não consegue escrever e ouvir música ao mesmo tempo, somado ao fato de que estou ouvindo involuntariamente. Não, não é meu vizinho party hard, mas a boîte à musique (boate a müsique) que não para dentro da minha cabeça. Pior, boîte à musique do disco arranhado ainda por cima, porque faz mais de meia hora que só canto um refrão do ABBA. Sim, ABBA, pra vocês verem como eu estou inspirada. hehehe

Então vamos de novo aos fatos na medida do físico. Porque tanta inspiração? Na verdade eu acho que Deus e Jesus Cristo fazem o partido do bom e do mau policial. Sabe aquela história do bom e do mau policial? Um que interroga compreensivo e outro que interroga na ameaça? Difícil demais essa metáfora? Na verdade eu acho que Deus e Jesus Cristo são da política do Bate e Assopra. Já deu pra notar como eu sou religiosa né, hehe, mas na verdade tudo isso é só pra falar que sofri muito e hoje veio a recompensa. Ai credo, fui ficar falando de Deus, olha aí o castigo! Acabei de derramar suco no meu computador! Ai que desespero! Que aflição! Sabe aqueles sonhos em que alguém te persegue e as suas pernas travam e é o maior sofrimento? Pois é. Fiquei assim, imóvel, sem saber o que fazia primeiro, se tirava a blusa pra secar, se procurava um papel absorvente adequado, ou uma toalha. Afe. Esse suco tava nervoso demais, quando abri a caixa agora há pouco e fui me servir (antes do desastre final) ele também derramou todinho na pia. Uma eca. Mas as teclas todas respondem aos meus comandos, um bom sinal vital. Como eu ia dizendo (antes dessa pausa para dar atenção ao suco nervoso), tudo começou semana passada na aula de metodologia quando que o professor pediu que entregassemos na outra semana (essa agora) uma página com o nosso problema de pesquisa definido. Êta lê-lê. Quantas crises uma pessoa pode ter em uma semana? O tanto que eu tive. Foi o ó, biblioteca atrás de biblioteca, sentada atrás de sentada na frente do word, dicionário atrás de dicionário, dor de cabeça atrás de dor de cabeça, duvida atras de duvida. Ufa. Escrevi 3 parágrafos. olhei praquela "pagina" modesta e me dei por satisfeita. "Antes uma página meio cheia do que uma meio vazia" disse pra mim mesma. E fui cantando ABBA pra aula (isso foi hoje). No final das contas não vou ver a reação do professor - que só fez receber os escritos. Vimos um filme japa dos anos 50 e pronto. A parte da recompensa? Foi que hoje baixou um santo no povo e todo mundo resolveu falar comigo. Mas isso eu relato no próximo parágrafo.

Tudo começou semana passada na aula de metodologia quando eu vi os alunos que haviam faltado na aula da manhã. Tinha um sósia meio desengonçado do jom e umas meninas nojentas. Fiquei com preguiça de todo mundo e ninguém falou comigo, aquela coisa, cada um no seu quadrado, ou melhor, cada um no seu mestrado. Só que hoje, como eu ia dizendo, baixou um santo no povo e todo mundo resolveu falar comigo. Tudo começou com um fi animadinho que me deu "Bon Jour" (bon jur) na aula da manhã. Depois foi um doido no bonde que ficou contando sobre a palestra de midias digitais que ele estava indo assistir. Depois foram as meninas nojentas que me gritaram "Salut" (salü) e me chamaram pra ficar conversando antes da aula de agora da noite começar. Na hora pensei "I, já vi que vou ter que rever meus conceitos", mas faz parte. Também troquei duvidas sobre o que o professor estava falando com o sósia do jom e um outro cara lá. O sósia do jom até virou pra mim e perguntou "Você é italiana?". Sim, porque a ultima coisa que esse povo pensa é que eu sou do Brasil, aí eles chutam pelo sotaque mais próximo: italiana, portuguesa, espanhola... e por aí vão (e olha que ele era italiano também!). Então hoje foi um daqueles dias em que a sorte do orkut deveria dizer "Hoje é um bom dia para se fazer amigos", mesmo que ela só tenha dito "A vida amanhã é muito tarde, viva hoje".

Tinha pensado em dedicar essa décima primeira edição à lingua francesa, mas com o andar da carruagem, não vejo muito espaço pra isso, e já começo a esquecer todas as outras coisas que queria falar sobre. Bom, tinha a descrição do pessoal da minha sala que já foi mais ou menos dada: as nojentas (uma italiana, uma francesa e uma inglesa); o sósia desengonçado do jom; um menino que eu hoje, olhando de esguelha, achei que era uma menina; um outro (o fi animadinho) que fica desenhando carinhas a aula inteira; umas japas; um veio; umas meninas de cabelo bem compridão; uma ruiva do cabelo enrolado e peitão; e hoje também tinha um bailarino russo. Nossa, ele era imenso de alto e tinha uma super aliança na mão esquerda. Estão vendo meninas? Aprendam: o dia que vocês arrumarem o bailarino russo de vocês, tratem logo de providenciar uma super aliança pra botar na mão esquerda dele! Marca território bem marcado que é pra qualquer uma desistir de qualquer idéia logo de início.

E falando em gente bonita, outro dia eu vi um principe no metrô. Fazia tempo que eu não via um rapaz tão bonito aqui (falando isso parece até pecado né, mas é verdade, todo aquele desencantamento funcionou como um belo par de óculos pra minha europia (miopia européia)), mas nesse dia eu parecia, assim, a bela adormecida acordando com o principe plenamente encantado (ou seria ela(eu) a encantada?). Pouco importa, o que interessa era que o menino parecia o William no auge da sua juventude, naquela época em que ele saia na capa da Atrevida, só que ainda mais maduro e bonito. O ó! Depois disso vi um músico também. Mas não era encantado. Tava mais pra um desses filósofos antigos (só que jovem ainda) bem barbudões que a gente só ve em foto P&B. Ainda assim ele me chamou a atenção. Não tinha aquela beleza óbvia dos principes, mas a misteriosa dos músicos. Refleti com qual eu me casaria. Cheguei a conclusão que uma boa música não envelhece prum bom ouvido. Não sei se isso responde, mas vá lá quand même (can meme).

Ah sim, nesse tempo todo em que venho escrevendo tenho ido à natação. AFE. Sério, se eu pudesse tomar injeção, ou tirar sangue no lugar de ir nadar, mesmo que fosse duas vezes por semana, acho que eu sofreria menos. Juro que é um martirio. 

E que mais? Ah é, essa semana chegou nessa Parisa a Kameni (ai, tem muito brasileiro nessa terra, daqui a pouco to falando mal do primo de alguém sem saber)! Saímos pra tomar alguma coisa. Levei ela pra conhecer a night da Sacre Coeur. E não é que tava vazio? Acho que era o frio. Ainda assim foi bem divertido!

E falando no frio... me descobri uma mulher sem palavra. Sem princípios. Ou quase. Logo eu que sempre participei da política Diga Não à Boina, outro dia saí com mamis para comprar aparatos de frio como coisas para a cabeça e para as mãos. Não teve jeito... me rendi. Ai que horror, o que dirão minhas companheiras do Queime Um Chapéu, Não Queime um sutiã?! Como pude, Senhor, cometer tamanha falta!? Mas sabe, gorro também... ficar de gorro em Paris, não dá sabe... não é classe... mas eu juro que são decentes! Não tem flores, nem véu. Só um que é peludinho e os outros dois tem um laço que é pra ninguém achar que estou de touca de banho. É... comprei 3... ah gente... não dá né? 4 meses empacotada sem poder trocar nem uma vez de cor ou de modelo pra ficar mais bonito com a roupa/situação? Mas comprei na C&A porque também não sou besta de ficar comprando chapéu caro. Aí segunda foi o teste. Saí na rua sentindo que tinha mesmo era uma melancia na cabeça. Acho que acabo me acostumando. O problema do chapéu é que depois você não pode tirar porque o cabelo dá beijos né, é chapéu pro resto do dia, então tem que estar no espírito. Mas mamis disse que eu fico parecendo moça antiga. Espero que isso não queira dizer "chapéu é demodê".

Bom... pelo que a barrinha lateral da minha página de email indica, já escrevi o bastante por hoje, acho que posso deixar vocês descansarem a vista.

A diquinha de moda está cada vez mais escassa. Quase uma diquinha em extinção. Quem diria que o nosso bom e velho professor David Penington estava certo!? MEIA CALÇA BEGE ESTA EM ALTA! Juro! Uma coisa. Vale aparecendo só assim, de leve no pé com sapatilha, até de vestidinho curto e sandália aberta. MEIA CALÇA BEGE É TENDENCIA!

E o resumão. Outro dia almoçando no RU tinha um rapaz sentado ao lado. Do bolso do casaco dele saia um cartão postal. Espichando o rabo do olho consegui pescar no meio daquela confusão escrita um "je t'aime".

E pra acabar no ritmo de pesquisadora, concluo o journal com uma pergunta: as joaninhas hibernam?

Bisous nos cous,
Juliá

Ps: Divido com vocês esse momento indescritível para mim que é ouvir um refrão do ABBA, mental e ininterruptamente:

...
And with no trace of hesitation she keeps going
Head over heels
Breaking her way
Pushing through unknown jungles every day
She's a girl with a taste for the world
...

21/06/2012

like wild horses over the hill

queria escrever sobre alguma coisa bonita pra comemorar. pra acreditar. nos arquivos só tristeza, choro e saudade. que tudo se exploda! que é dos fantasmas que eu me alimento. o dente, a fruta, o cheiro. veneno. tudo é pipoca. nuvem. tudo é água, tempo e silêncio. eu aprendo, eu aprendo. e é correndo que eu chego lá.

18/06/2012

joural FVI

eu ia escrever sobre... mas paris dentro pulsa, e me salva.


16/09/09
Ois mes chères!

Depois de uma semaninha infernalmente tepeemastrálica, eu volto a descobrir o que é o amor. O céu é mais uma vez azul, as flores já tem cheiro e a música volta a me arrepiar. Ah... como é bom viver... em paris! hahahaha Pois é. Voltei a ser gente. Acho que quem inventou a história do lobisomem era casado. Aí pra não ficar muito evidente de onde vinha a inspiração ele falou que a culpa era da lua. Mas coincidentemente, a lua cheia só acontece uma vez por mês... does it ring a bell?...

Aí o que posso contar, ou melhor cantar, já que estou gazelenta?... meu aniversário foi simplesmente bom. simplesmente, porque foi simples. bom, porque foi bom. não faltou ninguém (dentro das possibilidades): mãe, voio/voia, karina + familia. sobrou um amigo dela. mas era simpático, então também foi bem vindo. Ganhei presentins que me deixaram feliz também. Uma canequinha de infância, um pijama, um livro, sabonete e cartinhas, muitas cartinhas que me deixaram tão feliz! Obrigada pros que lembraram! Comi um risoto de queijo com frango. Tomei um vinho. Vimos a pontinha da torre eiffel acender as 10 horas da noite. Dormi.

Comecei o email já pelo fim da semana que foi a parte mais importante... mas antes disso também aconteceram outras coisas como a chegada dos meus avós, alguns passeios que fiz com eles... pequenas coisas que não valem o relato. Então ficamos só com o curioso. Quem diria que europeu é farofeiro? Ninguém, lógico. Peroquê, mis amigos, aquele piquenique que a gente ve nos filmes antigos, com aquelas toalhinhas brancas de renda, debaixo de uma arvore em 1800... aquilo lá, mis amigos, na bem verdade, não difere em nada da nossa boa e velha conhecida farofada! Aqui nessa terra, liberou uma grama, uma sombra, ou qualquer pedaço de chão alinhado em que não passem carros, mis amigos, tão lá, os farofeus, digo, europeus. aí cada um traz uma coisa. É batatinha, pão, salada, salame, vinho, suco, copo, talher, toalha, bolsa, abridor, afe maria! Eles só não levam o isopor. porque aqui toma-se tudo quente mesmo. ou melhor, frio, mas se esquenta ninguém liga. Então, mis amigos, ta com aquela fome, quer levar aquele frango assado pro clube, mas não acha classe? T'inquiete pas! Pode levar, leva mesmo! Aproveita e chama os amigos, leva a cervejinha, e se quiser leva o isopor também, porque cerveja brasileira quente, realmente, nem europeu aguenta.

Mas sim, agora explicando o porque da explicação: quarta feira meu amigo que dura 1 semana (oohh) Clément me chamou prum piquenique. Pra vocês terem uma ideia de como o piquenique é uma atividade extremamente praticada aqui na terrinha, eles tem até um verbo! Piquiniquer. Já imaginou se a gente libera um verbo pros farofeiros? Êta que ia ser a festa, ou melhor a farofa! Aí a gente foi fazer um piquenique - a noite - porque aqui pra piquinicar não tem hora, nem lugar, porque a gente foi fazer um piquinique no meio da ponte. oo dó. mas foi legal. tirando a parte que eu tive que abstrair a falta de higiene francesa quando vi o Clément cortar o pão direto no chão, com o queijo quase encostando no tenis. eca. Mas aqui também tem isso: ta no inferno, abraça o capeta; ta na chuva é pra se molhar; ta na frança... já deu pra entender né? Aqui quando você compra um crepe, melhor pagar depois que receber o alimento, porque tem esse negóço de mão que pega no presunto não pega no dinheiro não! Aqui, pegou no presunto, pegou no dinheiro, pegou na massa, coçou a cabeça, pegou no pão etc.

Sexta eu também fui no Caravane com a karina-familia+amigo. O amigo tava meio mal humorado porque ele era fino, e o caravane é rock n' roll então não tem gente fina. E o tipo do amigo era "modelo italiano de propaganda de perfume". enfim. Também foi uma carioca carente com a gente. Ai, uma mulher que conheci no ônibus e que me deu um pouco de agonia porque ela é ligada na tomada. Ai que nervoso que dá. Ela me ligou perguntando que que eu ia fazer. Falei assim, meio gemendo que eu já tinha combinado com uma amiga e... ela "Ah, e eu to convidada?" como você responde uma pergunta dessas? ou melhor, quem faz uma pergunta dessas? Sendo que eu só tinha visto a dita 2x na minha vida e falado menos de 5 minutos em cada vez? Aí eu gaguejei tentando pensar rapido numa resposta. Inutil. apesar de tudo, ela é simpatica. é carioca... a gente dá um desconto... e ela foi embora cedo então nem deu pra enjoar muito do sotaque (que fique claro que não tenho nada contra cariocas - minha familia é toda de lá). Além dessa companhia apendicítica, lá também se encontravam o barman ruivinho (aquele que só a larissa achava bonito). ele nem estava tão feio do que eu me lembrava, mas ele ainda toca as mesmas musicas dor de cotovelo. e o bailarino russo. Dessa vez, no lugar do chinelo, ele usava uma touca, por isso que o amigo da Karina tava nershvoso. O coitado em Paris e a gente levando ele pra ver menino de touca. hahaha também tinha uma mocinha atendendo e o lugar tava cheio de gente. Foi legal, mas na ultima hora, depois de uma certa pressão familiar, a karina resolveu ir embora mais cedo e eu voltei pra casa.

Domingo também foi especial. Domingo eu conheci o jardim da Alice. Um lugar encantado, mágico, lindo. De dar vontade de botar um vestido branco, um batom vermelho, cair no meio daquelas flores e morrer de amor. O jardim da Alice não era bem da Alice, era na verdade do Monet. E era cada flor erótica. Era cada cor. Cada cheiro. Uma onda de estímulos nervosos. Tinha o laguinho, a ponte e as ninféias. E tinha também a casinha dele. Mas o jardim era demais.

A diquinha de moda também tem! Meninos e meninas: a franja é dividida lá na linha final da sombrancelha. É, lá do lado da cabeça, quase em cima da orelha. Pode dividir bem divididinho e jogar tudo pro outro lado, do jeito que der. E as cores da estação são o laranja abóbora, o roxo beringela e o azul petróleo.

O resumão da semana também tem! Descobri o erotismo das flores e que farofa de rico tem outro nome. Depois de achar a música de A Deriva na internet, tenho escutado repetidamente, incessantemente. E cada vez é um arrepio novo, uma vontade de ler todos meus livros de uma só vez, e de usar todos meus perfumes, de escrever, de fazer um filme, de desenhar, de chorar, de dançar, de correr. Outro dia no trem, um rapaz lia uma partitura e balançava a cabeça. a musica estava toda dentro dele.

Hoje o email foi mais curto.
Profitez,

01/06/2012

de tudo que me alimenta e me corrói

sou feita de imagens. sons, cheiros, peles e memórias. como um filme, só que nos filmes tudo é romântico. como é estranha a inocência... foi aí que o tempo parou. e eu não vi a chuva, quer dizer, o corpo. eu só vi o corpo. a fome, a dor, o frio. Godard, o corpo é o limite! mas a esperança nasce e renasce todos os dias. e a água está sempre lá. aí a gente vai se descobrindo... aos poucos. basta um pouco de escuro, e tenho o universo na ponta dos dedos. mas eu sei que um pouco de luz também faz bem. ainda estou esperando minha cabeça explodir. do se gre do do de se jo do de se jo do se gre do. faço questão que você não entenda. é preciso aprender a desconhecer.

28/04/2012

journal FI

música sempre me desperta. senti uma saudade imensa da frança. editar e publicar o journal que escrevia enquanto morava lá já estava criando teia na minha wishlist. 
peter e john me deram um empurrãozinho.


10/08/09
Ois bens!!

Então, como prometido (ou semi prometido) vim contar sobre minhas empreitadas (ou quase empreitadas) francesas! Cá estou em Paris, falando como uma portuguesa, porque aqui tem muito portugues. Mas também tem muito árabe, não da nem pra fazer aquelas brincadeiras de contar quantos a gente vê num dia! Tem muito indiano, muito brasileiro, muito americano, muito canadense, muito alemão, só não tem frances! Na verdade, eu acho que os franceses já se mudaram todos daqui e ninguém reparou ainda... se duvidar eles estão todos aí no brasil!

Bom, mesmo tendo grande maioria imigrante, ainda sobrou muita gente bonita! como tem gente bonita por essas bandas! todo mundo é bonito, o lixeiro, o pedreiro, o cara do super mercado, o mendigo, todo mundo que aí no brasil a gente fala afe, aqui a gente fala afe também, mas no outro sentido! As mulheres são lindas! As mais mal arrumadas - e elas põe cada roupa que nem parece que aqui é o pólo da moda - são lindas, descabeladas, sujas e rasgadas, porém lindas. Tomara que eu consiga descobrir esse segredo inato do europeu: como ficar lindo e descolado em qualquer circunstancia, hipotese ou situação!

E que situação. Venho descobrindo das piores maneiras que não sou mais uma turista. Subindo 30kgs de mala 3 andares acima, subindo compras, descendo lixo, esperando a roupa lavar, andando feito louca, suando em bicas, pegando 3 metrôs e bonde pra chegar em um lugar e descobrir que está fechado. Até porque aqui nada abre em dia nenhum! Ô lugarzinho preguiçoso! Abençoada seja brasilia que tem restaurantes e farmacias abertas nos sabados e domingos, porque aqui a política é beijos morra de fome e de doença que é menos um pro seguro social!

Em 4 dias de Paris, da Paris que todo mundo conhece só vi foi Versalles - que nem paris é - a Torre eiffel de um lugar maravilhoso que foi o Palacio Chaillot, que eu encontrei por motivos completamente diferentes: um festival de cinema ao ar livre, de graça, sem nem esperar a vista maravilhosa que eu estava prestes a descobrir, e a notre dame, que eu vi passando na frente com certa pressa.

Aqui se chega exausto em casa, que não da coragem de levantar o braço pra ler um livro. Aqui o dia voa, assim que você levanta já é de tarde, e quando você chega no lugar, já anoiteceu e quando vai dormir, já passa da 00h. Terrível!

Aqui também tem muito baby cor de rosa, papel higienico cor de rosa em caixinha já cortado, privada separada do resto do banheiro, muitas pessoas nas gramas fazendo piquenique, muita havaiana e muita padaria/café. E falando nisso, esqueçam o pãozinho frances do supermercado. Porque o pão frances de verdade é duro e seco! O misto daqui é duro e seco, tudo em termos de sanduiche é duro e seco!

Bom... então resumindo a história... de interessante, foi ver uma parte que eu ainda não tinha visto de versailles porque estava em reforma; o papel higienico engraçado; perceber minha falta de folego nas escadas diarias; ver um mooooonte de meninos skatistas de todas as idades e tamanhos tomar o saguão do metrô. Ah! e eu também levei uma pombada quando entrava numa loja de departamento. Eu literalmente quase fui atropelada por um pombo. Cheguei a sentir a asa dele na minha boca! ECA!

Além disso, tem o banheiro aqui do alojamento que eu to morando. O box é tão pequeno que se você fizer um movimento errado, desliga o chuveiro com o cotovelo. E se agacha, encosta um joelho em cada parede. Imaginou? Pois é, a partir de hoje, todo mundo beijando seu box, seu elevador, seu rolinho de papel higienico, seu carro e a empregada de casa!

Lógico, que eu reclamei pra burro, mas aqui tudo é lindo e ótimo, pelo menos por enquanto - ainda não deu muito tempo de dar tudo errado - as pessoas tem sido muito educadas - desmentindo aquele papo de que frances é grosseiro - e meu nariz tem funcionado melhor do que nunca! Uma maravilha respirar bem!

Então é isso pessoal, ta aí o email imenso que dá preguiça de ler e de escrever! Favor encaminha-lo pros queridos que não foram contemplados. Lembrem-se que meu aniversário ta chegando e eu vou passar ele sozinha! preciso de muito amor!
 
Para todos uma boa semana, um beijo, um queijo e um vinho frances!

25/04/2012

até o coração parar de bater

explosions in the sky. escuta, a noite fria como o vento do mar. os olhos turvos de sonho. tudo é luz e movimento. tudo é dente, loucura e tempo. é vida acontecendo. correr, correr, correr. ficar na boca da água e sentir o cheiro da tempestade. amar, amar, amar. nascer e morrer várias vezes no mesmo dia para sempre. repetir, recomeçar.

24/09/2011

haters gonna hate

tudo aquilo que eu quero e que você não é, versus tudo aquilo que eu não sou e que você quer ser.
what the hell?! vomits her mind.
tudo aquilo que eu quero ser, e que eu posso, e não sou.
do querer mais sem querer querendo mesmo sem poder.
sem medo dos ajustes do ser.
i can take it to the next level ba-by.
seguir a si mesmo. promise i'll be kind, but i won't stop.
a festa estando dentro de si. como se nada, e nada falta.
a idade lhe caindo bem.
keep on dancin'. but i don't feel like dancin', no sir, no dancin' today.
se encontrar e se dar um perdido:
- olha, fica aí que eu já volto. só vou ali comprar cigarros.
- mas você não fuma!
- espera que eu já volto!
found out i was losing my mind
como fugir se sou eu que me espero?
- é só deixar a outra pra trás. vai com a que foi!
is the music to blame?
la rage qui monte le coeur et les yeux e vira ira, possessão do estômago virar do avesso, e o coração parar de bater, e os ouvidos não escutarem mais. de la tête aux pieds, ton corps ne te répond plus: só ele.
if you feel it, let it happen, i'm not alone.
da lhama quero só uma gota. quem sabe um quarto de dietilamida do ácido lisérgico.
fico com o som bem alto - i'm on the right track baby - direto nos ouvidos. tudo virando uma grande bola de nada num grande buraco negro mental chamado universo.
at this point i gotta choose, nothing to lose.

talvez um pouco de leveza... but i don't really care about,
i-i-i wanna go-o-o all the wa-ay-ay... wo-oh-oh!

19/06/2011

sonhos não, fome de mundo

ouvi uma música que me dá vontade de ser amor puro. de me abrir em luz, rasgando pele, cegando mundo. vontade de seguir uma diagonal de déboulés infinitos no boulevard de chenonceau, de correr como maria antonieta pelos corredores de versailles ou ainda de mergulhar lentamente naquele rio gelado onde virginia woolf pensou uma última vez. quero ver todos os filmes, ler todos os livros, ouvir todas as músicas, escrever todos os poemas, morar em todas as cidades, ser todos os personagens, viver todas as histórias, ter todos os amantes, e um só grande amor pra sempre.

13/06/2011

dos bailinhos do coração

eu poderia fazer mil versinhos sobre os músicos
e suas mãos bailarinas
dançando pelas cordas de um violão
cada uma em um ritmo
cada dedo num som
compondo aquela coisa linda
chamada amor.

05/05/2011

derrame cerebral

a chuva entrou no meu quarto pela janela do meu corpo. a gotinha correu o vidro como uma estrela cadente. fiz um pedido. quanto mais eu dentro do mundo, mais mundo dentro de mim. vazamento do ser. pedi pra chorar lá fora e não dentro de mim, pra verter no coração dos outros, não no meu. pedi pra ser aquilo que sempre quis. pra parar de ouvir aquela música, pra que ela parasse de falar comigo, pra que meu cérebro voltasse a si. quis me embriagar de pol rémy e vomitar poesia. poesia tripenta, dessas guardadas, revirando o estômago na ressaca. maldita insônia lúcida, maldito corpo cansado. a chuva entrou no meu corpo pela janela do meu quarto. a gotinha correu o vidro brilhando com pressa. tremelicando, deixando rastro de lesma.

18/04/2011

do piano e da respiração

a cada oitava você me perde uma nota. a cada tempo o olho abre, o olho fecha. e cansa, e mente, e esquece.

a lua me espia da janela. me vê, me lê, me constrange, me paquera, me seduz. nua lua.

a música vai tocando. a voz ecoando. no oco da cabeça, como se uma banda inteira ensaiasse perdida dentro de mim.

a loucura mata, o tempo mata, o amor morre.

a cada oitava eu dou um passo. pra frente ou pra trás?

das escolhas feitas, só nos resta viver.

nada será igual, nunca mais.

nós seremos sempre sozinhos

e ainda assim...

29/12/2010

feliz ano novo

faltam menos de 50 paginas pra eu te esquecer. e se, por um raio de tempo, eu desabotoar em cor? ontem chorei em silêncio no quarto escuro. chorei pelo passado que não foi, pelo presente que não é, pelo futuro que não sei. quando vi aquela pilha de cadernos a serem usados, e aquela pilha de livros a serem lidos, senti uma vontade enorme de dormir. tive medo de fechar os olhos: os fantasmas que guardo em mim gostam da escuridão da mente. mas, e se, por um raio de luz, eu desbotar em flor? o livro foi se despedaçando em minha mão, e meus cabelos borbulharam como os de sierva maria. como o champanhe, estourando ao ritmo da música. e cada explosão, de cada bolha, de cada nota, todas cheias de dentes, me fez acreditar naquela única promessa, tão simples, e tão complexa. de tudo aquilo que só faz sentido na minha cabeça, só vou guardar a loucura.