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Mostrando postagens com marcador tripas. Mostrar todas as postagens
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15/03/2013

eu, lambuzando os dedos e a boca

eu, lambuzando os dedos e a boca naquela carne macia e suculenta como fazem os animais. como faz carlos. é o veneno da descoberta: tudo que vive, tripa. e dente.

01/12/2012

sonho ou pesadelo?

mariposa no meu quarto. saiu da minha cabeça. mariposa farfalhando. era saudade, medo, e desejo. dei-lhe um tapa com um livro. caiu na fenda escura do incerto. pobre mariposa... presa dentro do copo. presa dentro de mim

24/11/2012

journal DII, journal FXII


os dois reflexos estavam de costas um para o outro. as pessoas foram ficando pelo caminho, deixando os dois cada vez mais a sós.

o quarto trem foi musical. vim sentada ao lado de um descendente de viking. seus traços eram suaves, tinha a delicadeza de uma pluma. a carreira de bárbaro definitivamente não lhe cabia.

o zíper da bolsinha da senhora estava quebrado: punctum. janis joplin me dava vontade de saltar do vagão em movimento e sair correndo pelos campos. campo, campo, campo, casinhas de telhado vermelho amontoadas em volta de igrejinhas pontudas e simpáticas. é isso a alemanha.

em stuttgart eu me apaixonei três vezes, uma por uma mulher. esses meus amores de verão... passam na minha frente tão rápido quanto as férias. um deles ainda olhou para trás. eles vem, roubam meu coração com sua beleza e vão embora, levando a minha história de amor junto com eles.

a inocência tem som de risada de criança. os pequenos cantam sem vergonha do mundo. onde é que nos perdemos?

os carrinhos amassados eram brinquedos velhos amontoados num canto qualquer.

o homem sem dentes lia sem atenção um livro sobre artes marciais. tinha os olhos azuis de um louco.

o quinto trem foi um avião. dor e sofrimento são duas coisas diferentes.

paris fez bater um sentimento forte de mundo. são tantas pessoas, tantas vidas, tantas histórias andando pra lá e pra cá... é quase insuportável imaginá-las acontecendo.

paris também me fez pensar sobre o tempo parado e o tempo que muda. quem é que decide? depois de dois anos longe, esperava um reencontro cheio de angústias e saudades. de silêncios e fantasmas. de dentes. mas era como se eu nunca tivesse partido, como se eu tivesse a cidade inteira dentro de mim e nada mais me fosse misterioso, por mais segredos que as ruas ainda me escondam, e eu sei que escondem. esperava inquietação, anseio, e foi tudo ao contrário, quase que sem brilho, pipoca. revirou toda a tripa do querer viver. ajna.

ce matin, j'ai appris que les amours imaginaires resteront toujours imaginaires. le silence par contre, est réel. il sera toujours là.

pensei que não se pode ter o azul, o amor e a beleza juntos. mas como escolher?

já de volta, assolada pelo sistema, esquecida das histórias, cansada e ainda inquieta, repenso minhas tripas. eu queria falar da beleza das pedras, que me rasga, e também das nuvens que me evaporam, mas eu mesma já não aguento mais tanto vidro, carne e pipoca. a cidade que me falta não existe. ela é feita de saudade, tem cheiro de chuva e cor de tempo. a cidade que me falta é como a minha história de amor.

16/11/2012

coisa coração é coisa indomada

tirei o monstro da gruta e o soltei nos campos do coração. a maçã não basta, eu preciso da carne, do sangue. eu preciso sentir o gosto do couro rasgado. essa coisa de máscara... de beleza intransponível, intacta, sóbria, quase aristocrática, e que não esconde o buraco do olho. quando a lágrima quer falar, devassa caminho, não há quem, nem onde. fazer das tripas coração. eu sei que é o contrário. o outro é sempre vazio e silêncio, é sempre pipoca no dente. mas agora o sonho é de vidro. coisa de fogo e areia. porque a maçã não basta. isso é coisa de tempo. isso é coisa de tempo.

04/10/2012

01/06/2012

de tudo que me alimenta e me corrói

sou feita de imagens. sons, cheiros, peles e memórias. como um filme, só que nos filmes tudo é romântico. como é estranha a inocência... foi aí que o tempo parou. e eu não vi a chuva, quer dizer, o corpo. eu só vi o corpo. a fome, a dor, o frio. Godard, o corpo é o limite! mas a esperança nasce e renasce todos os dias. e a água está sempre lá. aí a gente vai se descobrindo... aos poucos. basta um pouco de escuro, e tenho o universo na ponta dos dedos. mas eu sei que um pouco de luz também faz bem. ainda estou esperando minha cabeça explodir. do se gre do do de se jo do de se jo do se gre do. faço questão que você não entenda. é preciso aprender a desconhecer.

14/12/2011

27/06/2011

perder-se


pressão nos canos. da fresta sai gotinha. desgarramento sem hora. essa coisa chamada ansiedade. aquela outra coisa chamada música. e ainda a coisa picasso. tudo me desconcentrando. fui apresentada a um quadro. antigo meu, conhecido de outros tempos, depois mesmo de tê-lo dentro de mim. lembrava daqueles olhos. aquele vazio que me revirava as entranhas há anos. anos buscando a resposta da pergunta que não foi feita. vi o vazio olhando pra mim em carne, o mesmo vazio de picasso em tinta. que beleza um quadro vivo. que beleza! ia escrever sobre os surtos, sobre a lágrima, sobre a gotinha de sentimento desgarrada do ser de dentro, sobre a fome, sobre a desconcentração. mas a beleza tem um que de sobrevivência.

05/05/2011

derrame cerebral

a chuva entrou no meu quarto pela janela do meu corpo. a gotinha correu o vidro como uma estrela cadente. fiz um pedido. quanto mais eu dentro do mundo, mais mundo dentro de mim. vazamento do ser. pedi pra chorar lá fora e não dentro de mim, pra verter no coração dos outros, não no meu. pedi pra ser aquilo que sempre quis. pra parar de ouvir aquela música, pra que ela parasse de falar comigo, pra que meu cérebro voltasse a si. quis me embriagar de pol rémy e vomitar poesia. poesia tripenta, dessas guardadas, revirando o estômago na ressaca. maldita insônia lúcida, maldito corpo cansado. a chuva entrou no meu corpo pela janela do meu quarto. a gotinha correu o vidro brilhando com pressa. tremelicando, deixando rastro de lesma.

08/12/2010

d'alguns dos demônios

a grama foi ficando branca e azul, numa vertigem que o espaço ia diminuindo. hoje eu sou o próprio cão que mordeu sierva maria. eu odeio aqueles que amam, porque eu não. tudo aquilo que incha o epíploon e esmaga as tripas, não passa de medo? quis ler a bagaceira só pelo título. quis uma lobotomia. não tenho tempo pra escrever sobre a falta de tempo. não tenho paciência pra escrever sobre a falta de paciência. e eu ainda insisto nesses dias de pouca inspiração...

05/12/2010

ouriço do mar

e essa sede tão estranha... quis arrancar meu útero com os dentes. meu útero bicorno.  foi uma coincidência eu trocar meus órgãos de lugar? o pequeno epíploon pulsando. a mariposa farfalhando. presa dentro do copo, presa dentro de mim. e o veneno destilando. sonhei que era perseguida por um leão e mordida por uma cobra. tive medo de morrer, acordei. freud explica. aqueles narizes naqueles pescoços: mariposa na lâmpada. aquela alegria, aquela raiva, aquela tristeza. aquele medo e o amor, tudo junto e misturado. eu quero gavetas! eu quero separadores de gavetas! eu quero caixas e etiquetas! cabides! quero organizar meu quarto! meu armário!! minha cabeça!!! e aí eu pensei em maneiras de mudar minha vida. fiquei na dúvida entre dormir, acordar e fingir que tudo não passou de um sonho, e falsear minha morte, mudar de nome e de país. me disseram que eu era um ouriço do mar. lembrei da maldade infantil, que tirava sangue junto com o leite da mãe. pensei no derrame cerebral, na inundação do mundo. e aí a noite acabou. acordei na hora em que cheguei no instituto butantan. talvez devesse me chamar Luisa.