Translate

Mostrando postagens com marcador ilusão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ilusão. Mostrar todas as postagens

29/09/2018

felicidade

seguro essa barra de sol,
é d'oiro.
o olho brilha quando vê,
é quente feito o amarelo das manhãs
e derrete entre os dedos.

seguro essa barra de sol,
seguro, mas não a tenho.
se desfaz no calor da pele 
liquefeita em cor de sonho.

se alimenta do desejo dos homens,
engorda em seus segredos,
mas no esticar das mãos 
escapa feito um peixe dourado,
reluzindo como água. 
não pertence a ninguém, é apenas promessa.

25/06/2014

o pântano pode ser a piscina da sua casa

eu queria saber descrever o meu estado de felicidade, mas eu não sei definir esse sentimento complexo de tão simples. eu só posso falar das minhas imagens. e de como a música me imerge numa piscina turquesa, onde solto bolhas e mais bolhas de um ar que vem de dentro. de um corpo que se auto respira e alimenta. é um estado de cócegas, por dentro, mas não das que a gente se contorce de riso que dói, mas aquele estado de alerta engraçado. eu vejo nuvens de água, salpicando o rosto de fresco num dia amarelo. e todas as mazelas do mundo são pequenezas perto da esperança que trazem à mão.

aí ele disse que não estava pronto, mas eu queria dizer que ninguém nasce pronto pra vida.

firmei o olho, e a esperança que trazia entre os dedos era de açúcar. tropecei e caí. ralei um pouco os joelhos. a chuva derramou dentro do copo, bebi de um gole só. o doce fez um carinho no coração vazio. limpei o canto da boca com as costas da mão, e se é pra falar de imagens, o ar está limpo, de uma transparência úmida. o céu cinza a gente faz destacar o verde.

30/08/2013

ora essa!

abri a porta: era o medo de te perder. convidei-o a entrar, ofereci-lhe um chá, tirei-lhe os sapatos. fez-se em casa. quando ficou chato, pedi que se retirasse, mas assim que fechei a porta, um carro me atropelou. eram as juras de amor vazias.

15/04/2013

do processo

primeiro eu me encanto pela beleza, depois eu me apaixono pela história de amor que eu não vou viver.

25/03/2013

aquecendo as mãos na xícara de chá

sinto que a última gota de qualquer coisa que havia no meu coração acaba de secar. finalmente o vazio virou nada. a flor de plástico não pulsa, não seiva, não saliva mais. viro os olhos para fora. a temporariedade da existência torna tudo ridículo: o bigode bem cortado, o pirão de peixe, o salto alto e o batom fúcsia. de concreto, só a fome. sete reais e cinquenta centavos de fome. de concreto, só o arroz e o feijão que brotam da terra, de onde tudo veio, para onde tudo vai. incansáveis, buscam consertar as coisas. agendas político ambientais, econômicas e sociais, como se houvesse luz no fim do túnel. é o que chamam de esperança por um futuro melhor, que ninguém aqui vai ver. e ainda põem a culpa em pandora. retiro a gordura da carne, sustentando a hipocrisia da boa alimentação, que ninguém sabe qual é. um dia é o tomate e o azeite, no outro, o ovo e o chocolate. disseram certo, somente a beleza salvará o mundo, mas a beleza está nos olhos de quem vê, e por aqui estão todos cegos com suas convicções de pedra, quando na verdade, tudo não passa de nuvem.

20/02/2013

ainda me mata de saudade

sim, cada vez mais distante. cada vez mais sem cheiro, sem voz, sem rosto. vou te encontrando pelas esquinas, mas são os outros. vão roubando tua beleza, mascarando-se na ilusão feliz e cheia de medo de te ser. o vidro era feito de céu e o sol era a tua pele que me aquecia. é quando eu volto pra casa, quando tudo é fantasma, que eu lembro de você.

28/12/2012

não amor ou quase de verão

virou de costas e
lentamente
amarrou seus cabelos em um coque alto.

lançava olhares furtivos por entre cabeças e copos.
 

pele gravada, rosto de quem tem história. era pirata, cigano. e em cada personagem eu

eu dizia alguma coisa quando me interrompeu levando a caneta e o amor.

virou de costas e
lentamente
me provocou com seus cabelos amarrados em um coque alto. 

era beleza, vazio e segredo. 

não merecia uma história de amor.

24/11/2012

journal DII, journal FXII


os dois reflexos estavam de costas um para o outro. as pessoas foram ficando pelo caminho, deixando os dois cada vez mais a sós.

o quarto trem foi musical. vim sentada ao lado de um descendente de viking. seus traços eram suaves, tinha a delicadeza de uma pluma. a carreira de bárbaro definitivamente não lhe cabia.

o zíper da bolsinha da senhora estava quebrado: punctum. janis joplin me dava vontade de saltar do vagão em movimento e sair correndo pelos campos. campo, campo, campo, casinhas de telhado vermelho amontoadas em volta de igrejinhas pontudas e simpáticas. é isso a alemanha.

em stuttgart eu me apaixonei três vezes, uma por uma mulher. esses meus amores de verão... passam na minha frente tão rápido quanto as férias. um deles ainda olhou para trás. eles vem, roubam meu coração com sua beleza e vão embora, levando a minha história de amor junto com eles.

a inocência tem som de risada de criança. os pequenos cantam sem vergonha do mundo. onde é que nos perdemos?

os carrinhos amassados eram brinquedos velhos amontoados num canto qualquer.

o homem sem dentes lia sem atenção um livro sobre artes marciais. tinha os olhos azuis de um louco.

o quinto trem foi um avião. dor e sofrimento são duas coisas diferentes.

paris fez bater um sentimento forte de mundo. são tantas pessoas, tantas vidas, tantas histórias andando pra lá e pra cá... é quase insuportável imaginá-las acontecendo.

paris também me fez pensar sobre o tempo parado e o tempo que muda. quem é que decide? depois de dois anos longe, esperava um reencontro cheio de angústias e saudades. de silêncios e fantasmas. de dentes. mas era como se eu nunca tivesse partido, como se eu tivesse a cidade inteira dentro de mim e nada mais me fosse misterioso, por mais segredos que as ruas ainda me escondam, e eu sei que escondem. esperava inquietação, anseio, e foi tudo ao contrário, quase que sem brilho, pipoca. revirou toda a tripa do querer viver. ajna.

ce matin, j'ai appris que les amours imaginaires resteront toujours imaginaires. le silence par contre, est réel. il sera toujours là.

pensei que não se pode ter o azul, o amor e a beleza juntos. mas como escolher?

já de volta, assolada pelo sistema, esquecida das histórias, cansada e ainda inquieta, repenso minhas tripas. eu queria falar da beleza das pedras, que me rasga, e também das nuvens que me evaporam, mas eu mesma já não aguento mais tanto vidro, carne e pipoca. a cidade que me falta não existe. ela é feita de saudade, tem cheiro de chuva e cor de tempo. a cidade que me falta é como a minha história de amor.

17/09/2012

sonho de menina

às vezes eu olho pro meu coração e me vejo ainda menina com meus sonhos de criança...


me pergunto se algum dia vou amar daquele jeito de novo

05/09/2012

do segredo e do engano

escrevi mil versinhos sobre tua beleza, sobre teu silêncio de estátua. dediquei cada letra, cada minuto, cada palavra a cada ruga, cada poro, cada pelo teu. mas amo sozinha, em segredo. sei que teu coração mora em outro. a vida é assim, não é? joão amava teresa que amava raimundo que amava maria que amava joaquim que amava lili que não amava ninguém. quando vejo teu mundo girando tão longe e feliz, teu mundo que já foi meu sol, quantas coisas me afogam... quantos quereres e dúvidas. todo dia oro os ensinamentos de clarice, mário e hilda. todo dia te odeio por não me amar. e te perdoo. sim, eu preencho meu tempo e meu coração com outros amores. sim, é possível continuar e ser feliz. mas no silêncio, no escuro, quando o vazio volta - e ele sempre volta - é com você que eu sonho. é o teu nome que a saudade grita. não era a minha vez, eu sei. a gente pensa que engana, e engana, mas a si mesmo.

28/07/2012

a thing of beauty is a joy forever

na nossa história de amor nós moramos em todas as cidades e falamos todas as línguas, porque o amor não tem lugar. e um dia dura uma vida inteira, porque o amor é tempo sem hora. que me importa se as palavras são vazias? eu me alimento do silêncio.

04/06/2012

h. hilst VIII

eu passei anos escrevendo seu nome dentro de mim. agora passo o tempo apagando cada letrinha, uma a uma, tentando te esquecer. nunca as letras foram tão infinitas.

28/10/2011

waking up?

hoje fui ter com os passarinhos.
falei pra eles o que eu me falo todos os dias...
andei descalça na grama,
senti a leveza desse mundo pesado.
fiquei doente.
a solução?
não me deixar sozinha comigo mesma por muito tempo!
cortei uma mecha de cabelo,
comprei um sapato,
passei um batom.
tive um sonho ridiculamente bom.
mas era só um sonho...
então eu acabei com uma garrafa de cachaça!
agora só me restam três...