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19/09/2014

o tempo passa? não passa

o tempo passa? não passa. e se amanhã ainda for cedo para dizer eu te amo, mandarei trazer carlos do além para nos lembrar que sempre é tempo de amar, e que o tempo é nosso. façamos o tempo, revoada, folha no vento! é possível amar as pedras, mas sozinho, porque das pedras só vem silêncio. amor simples do dia a dia brota da terra sem pingo d'água ou fio de sol. está lá, sempre esteve, esperando o tempo de nascer. é coração redescobrindo infância verde e viva.

o tempo passa? não passa. à meia noite te chamarei de amor. e num domingo preguiçoso seguro a página do seu livro para que você possa me fazer um cafuné enquanto lê. vou dormir ao som do papel no dedo, o movimento do teu sopro embalando meus sonhos.

08/08/2014

journal BXV

eu poderia passar a tarde toda naquele banco, desenhando árvores nos meus sonhos. o vento seco faz trincar a pele. a folhinha rola na pedra, tem som de besouro. volto pelo caminho das azaléias. sinto que falta alguma coisa. o celular, meu amigo, minha companhia de almoço. ele, mais sábio do que eu, demorou-se mais por lá. fui buscá-lo sem medo de sujar o sapato na lama ou de levar uns pingos de chuva da torneira vazante. não desço os olhos do céu. o pássaro negro, enorme, plana lento, quase imóvel, no azul. é como a morte. volto pelo caminho das azaléias. o vento seco faz arder os olhos. antes de entrar no escritório, visto o casaco para guardar o sol.

25/06/2014

o pântano pode ser a piscina da sua casa

eu queria saber descrever o meu estado de felicidade, mas eu não sei definir esse sentimento complexo de tão simples. eu só posso falar das minhas imagens. e de como a música me imerge numa piscina turquesa, onde solto bolhas e mais bolhas de um ar que vem de dentro. de um corpo que se auto respira e alimenta. é um estado de cócegas, por dentro, mas não das que a gente se contorce de riso que dói, mas aquele estado de alerta engraçado. eu vejo nuvens de água, salpicando o rosto de fresco num dia amarelo. e todas as mazelas do mundo são pequenezas perto da esperança que trazem à mão.

aí ele disse que não estava pronto, mas eu queria dizer que ninguém nasce pronto pra vida.

firmei o olho, e a esperança que trazia entre os dedos era de açúcar. tropecei e caí. ralei um pouco os joelhos. a chuva derramou dentro do copo, bebi de um gole só. o doce fez um carinho no coração vazio. limpei o canto da boca com as costas da mão, e se é pra falar de imagens, o ar está limpo, de uma transparência úmida. o céu cinza a gente faz destacar o verde.

02/11/2012

sopro, sol da manhã

amor tranquilo não é amor de estátua. amor de estátua é pipoca, pedra e silêncio. amor tranquilo é ponta de sorriso, coração quieto. é sem mistério, sem segredo. sopro, sol da manhã. as estátuas ruem duras, rasgam pele. amor manso é nuvem: evapora, matando devagar.

31/10/2012

portas e janelas

eu pensei na pele que enruga, no tempo, e na água. quis escrever um journal inteiro sobre o amor, mas as palavras me vestem melhor por dentro. lembrei de um poema antigo e querido que é sempre novo. meus poemas-oração. quando a música tocou, me vi em paris, naquela cidade que só existe nos meus sonhos. sonhos de vidro. sonhos de flor queimados no papel, cobertos de nuvem e saudade. quis brigar com o coração porque ele ainda não aprendeu a fechar a porta. quis chorar o desencontro, mas o silêncio me manteve quieta. eu também esqueço as janelas abertas... e é por elas que entram a luz, a chuva e o vento.