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15/04/2013

do processo

primeiro eu me encanto pela beleza, depois eu me apaixono pela história de amor que eu não vou viver.

24/11/2012

o gozo III

pele macia, carne rija. quanto mais a memória afunda, mais quente a carne endura. e assim vai, água e desejo. levanta, onda furiosa! lava esse corpo de saudade… mas finda em espuma fina, que o meu coração é porto.

25/08/2012

estrela, estrela!

estrela, estrela! eu sei que estás aí! posso sentir o bafo quente do teu suor. estrela, me escuta! é que a minha saudade já não cabe dentro de mim. e essa sede... essa sede que não seca! dá-me um pouco d'água, dessa que escorre da tua pedra. teu sal com certeza é mais doce que o da lágrima.

25/04/2012

poncã

abrindo poncã como abro coração
rasga pele casca tecido textura fibra
dissipa cheiro perfume fragrância
sente o gomo o doce o fresco
escorre suco mela dedo
mastiga devagar

escamas de mel
paisagem de neve
devora como se fosse bicho
mas com ternura de beijo
porque é coisa viva

23/10/2011

o jantar

ligou o fogo
cortou alho e cebola
separou os temperos
escolheu o vinho

naquela noite serviria em grande estilo!
o prato principal: seu coração.

18/06/2011

la chute

noutro dia era o corpo que descolava, comalma doutro, duplicada, copiada, seguinte, repetindo ação. respirava duas vezes, o mesmo corpo duas vezes em paralelo consigo mesmo. espelho invertido, refletido de dentro. tocavam as mãos, duas vezes, duplicando também a mão parceira, fazendo-se um quarteto alucinante. queria dançar daquele jeito. com aquele corpo. aqueles corpos, todos, no escuro, só a respiração. respiração e saliva duas vezes cada vez. e agora, dondestá o duplo? terceira e quarta mão, outreu d'outrora. pedaço de esfera perdida. porquessa pressa? será que gruda de novo? fundição ao contrário. e o tempo? dobrou no corpo? evaporou com o espírito? não vi o tempo, dormi. e no ranço de toda essa sensibilidade corpórea, o medo simples de enlouquecer.