a saudade apertou num lugar invisível. não era tripa, não era carne. era vazio. uma vez mário me ensinou sobre a gratidão: obrigada, eu nunca mais serei a mesma. já não sou. para o bem e para o mal. dói porque é preciso transformar o amor em outra coisa. e eu já não sei mais o que é ódio e o que é desejo.
e no dia de são valentim, retomo meu journal. em brasília mesmo, porque a descoberta está dentro. pra falar dos guarda-chuvas que molham mais do que secam, e das gotas pingantes, gotas montanhas, vales infinitos.
tomou um banho quente. colocou seu melhor vestido. olhos esfumados, batom vermelho. perfume novo e salto alto. ao abrir a porta para sair, pensou: já vira esse filme antes. valia a pena? deu meia volta, abriu seu melhor vinho e dormiu com as estrelas.