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25/02/2012

23/02/2012

para o bem e para o mal

a saudade apertou num lugar invisível. não era tripa, não era carne. era vazio. uma vez mário me ensinou sobre a gratidão: obrigada, eu nunca mais serei a mesma. já não sou. para o bem e para o mal. dói porque é preciso transformar o amor em outra coisa. e eu já não sei mais o que é ódio e o que é desejo.

16/02/2012

o retrato

nessa minha memória
de nó
quantos traços 
borram
e perdem
o dele, apaga

o cheiro
a cor
mais clara?
talvez
menos doce
esvai

a boca
aos poucos
o cabelo
a voz
já não sei

o riso
o olhar

como poeira 
no vento
como areia 
no mar
como gente
no tempo
se vai

um dia
na esquina
seria ele?
eu vi
seria outro?
queria ver

olhei de novo
ele voltava?

14/02/2012

journal BI

e no dia de são valentim, retomo meu journal. em brasília mesmo, porque a descoberta está dentro. pra falar dos guarda-chuvas que molham mais do que secam, e das gotas pingantes, gotas montanhas, vales infinitos.

26/01/2012

o encontro

tomou um banho quente. colocou seu melhor vestido. olhos esfumados, batom vermelho. perfume novo e salto alto. ao abrir a porta para sair, pensou: já vira esse filme antes. valia a pena? deu meia volta, abriu seu melhor vinho e dormiu com as estrelas.

13/01/2012

tentei me afogar, mas a sede era muita

deitei ali mesmo 
no chão, sob a água,
desejando que pelo ralo 
fossem todos aqueles sentimentos.
meu corpo nunca coçou tanto.
até que a pele não sentiu mais.

o vapor na parede era do suor de uma batalha.