31/08/2014
eu só quero o seu bem
agosto terminou, não sem um coração partido, mas a chuva pingou estrelas por cima da lágrima, lavou a ferida e fechou o domingo anunciando a primavera.
28/08/2014
journal BXVI
o livro me disse que eu poderia ser maior que as árvores.
à meia noite plantei o ipê que faltava em meu coração.
17/08/2014
a lágrima fracionou a luz da purpurina em um céu cheio de estrelas
a lágrima fracionou a luz da purpurina em um céu cheio de estrelas. uma cadente correu veloz. fechei os olhos e fiz um pedido. desejei nunca ter te amado.
08/08/2014
journal BXV
eu poderia passar a tarde toda naquele banco, desenhando árvores nos meus sonhos. o vento seco faz trincar a pele. a folhinha rola na pedra, tem som de besouro. volto pelo caminho das azaléias. sinto que falta alguma coisa. o celular, meu amigo, minha companhia de almoço. ele, mais sábio do que eu, demorou-se mais por lá. fui buscá-lo sem medo de sujar o sapato na lama ou de levar uns pingos de chuva da torneira vazante. não desço os olhos do céu. o pássaro negro, enorme, plana lento, quase imóvel, no azul. é como a morte. volto pelo caminho das azaléias. o vento seco faz arder os olhos. antes de entrar no escritório, visto o casaco para guardar o sol.
07/08/2014
estou esperando você entrar por aquela porta
desejo, desejo
cada vez mais, desejo a boca,
o contorno da tua boca,
tão fino...
a forma do teu corpo,
pele e pelo tocando a ponta do dedo
desejo, desejo
cada vez mais, teu segredo,
teu mistério,
o silêncio da tua história
tua experiência em amar
teu riso
meu riso no teu riso
cada vez mais, tua ironia,
tua verdade
ah... se o tempo nos tivesse posto antes
o que seria de nós?
e agora, tanto desencontro depois
o que será de mim?
lagrimundo
a minha saudade já não cabe nas palavras
não cabe no meu corpo, não cabe nesse mundo
não caberia nem em uma vida
cabe apenas em uma lágrima
não cabe no meu corpo, não cabe nesse mundo
não caberia nem em uma vida
cabe apenas em uma lágrima
28/07/2014
aqueles momentos felizes
vendo teu rosto na fotografia - como era que se parecia? já perco alguns traços para o tempo - me lembro de nós dois. como fui feliz ao teu lado. era como se a morte nao existisse. o tempo era nosso: os relógios sem hora nos prometiam a eternidade. entre olhares, cheiros, carinhos e palavras, edificamos o amor. mas éramos de açúcar e bastou uma chuva para ruir nosso templo.
hoje, deitada sozinha, no escuro, repenso aqueles momentos felizes. a garganta aperta e uma lágrima me escapa. contrariando todas as minhas ordens, meu coração ainda espera por ti.
16/07/2014
25/06/2014
o pântano pode ser a piscina da sua casa
eu queria saber descrever o meu estado de felicidade, mas eu não sei definir esse sentimento complexo de tão simples. eu só posso falar das minhas imagens. e de como a música me imerge numa piscina turquesa, onde solto bolhas e mais bolhas de um ar que vem de dentro. de um corpo que se auto respira e alimenta. é um estado de cócegas, por dentro, mas não das que a gente se contorce de riso que dói, mas aquele estado de alerta engraçado. eu vejo nuvens de água, salpicando o rosto de fresco num dia amarelo. e todas as mazelas do mundo são pequenezas perto da esperança que trazem à mão.
aí ele disse que não estava pronto, mas eu queria dizer que ninguém nasce pronto pra vida.
firmei o olho, e a esperança que trazia entre os dedos era de açúcar. tropecei e caí. ralei um pouco os joelhos. a chuva derramou dentro do copo, bebi de um gole só. o doce fez um carinho no coração vazio. limpei o canto da boca com as costas da mão, e se é pra falar de imagens, o ar está limpo, de uma transparência úmida. o céu cinza a gente faz destacar o verde.
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