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09/08/2011

addicted

sentir no braço, nas pernas, no meio do estômago, aquela sede. sede não na boca, na carne. um ardor leve, interno, discreto, mas que o fundo sabe que é precisão, vontade. vontade... vontade,  vontade, vontade, aquela vontade VonTade VonTaDe VoNTaDE VONTADE VONTADE VONTADEVONTADEVONTADEAQUELA VONTADE LOUCA DE BEBER UMA COCA COLA, DE COMER UM CHOCOLATE, DE GRITAR, DE SENTIR SEU CHEIRO, DE ESTAR AO SEU LADO.

27/07/2011

choses du coeur

essa paz que não se sabe d'onde vem nem pronde vai. é amor ou não mais amor? é silêncio? é noite? pasmaceira corpo sono tepidez, coisalma parada. faltânimo. e esse querer ser outra coisa que não sei se sou. procura-se-me. procura-se-me essa coisamor. coisa coração é coisa indomada.

11/07/2011

da fraqueza da carne

pense nas franjas da tua bolsa, no azul da tua água, nas flores do teu lenço e todo mal passará. a indecência do tempo há de se colocar atrás dos olhos, onde não se pode ver.

03/07/2011

ébria de amor

queria uma canção pra falar da união e da beleza, e compartilhar com os amigos a experiência maravilhosa de hoje. na falta da rima, divido as imagens que me embriagaram nessa noite fria de domingo. assim, jogadas em uma cesta, colha a que quiser: andorinhas sobrevoando o altar. fim de tarde. tecidos brancos, translúcidos, dançando ao vento. bolas de vidro. flores brancas e azuis. margaridas, hortênsias, rosas. caixotes, bancos, molduras, gavetas, espelhos. corações de açúcar. velas, garrafas, champanhe. música e amigos queridos à beira do lago. pérolas, trança e renda, tudo tão lindo... quero um especial, imenso e verdadeiro, desses que doem de tão. desses feitos pra sempre. eu acredito no amor, pronto falei.

27/06/2011

perder-se


pressão nos canos. da fresta sai gotinha. desgarramento sem hora. essa coisa chamada ansiedade. aquela outra coisa chamada música. e ainda a coisa picasso. tudo me desconcentrando. fui apresentada a um quadro. antigo meu, conhecido de outros tempos, depois mesmo de tê-lo dentro de mim. lembrava daqueles olhos. aquele vazio que me revirava as entranhas há anos. anos buscando a resposta da pergunta que não foi feita. vi o vazio olhando pra mim em carne, o mesmo vazio de picasso em tinta. que beleza um quadro vivo. que beleza! ia escrever sobre os surtos, sobre a lágrima, sobre a gotinha de sentimento desgarrada do ser de dentro, sobre a fome, sobre a desconcentração. mas a beleza tem um que de sobrevivência.

19/06/2011

sonhos não, fome de mundo

ouvi uma música que me dá vontade de ser amor puro. de me abrir em luz, rasgando pele, cegando mundo. vontade de seguir uma diagonal de déboulés infinitos no boulevard de chenonceau, de correr como maria antonieta pelos corredores de versailles ou ainda de mergulhar lentamente naquele rio gelado onde virginia woolf pensou uma última vez. quero ver todos os filmes, ler todos os livros, ouvir todas as músicas, escrever todos os poemas, morar em todas as cidades, ser todos os personagens, viver todas as histórias, ter todos os amantes, e um só grande amor pra sempre.

18/06/2011

la chute

noutro dia era o corpo que descolava, comalma doutro, duplicada, copiada, seguinte, repetindo ação. respirava duas vezes, o mesmo corpo duas vezes em paralelo consigo mesmo. espelho invertido, refletido de dentro. tocavam as mãos, duas vezes, duplicando também a mão parceira, fazendo-se um quarteto alucinante. queria dançar daquele jeito. com aquele corpo. aqueles corpos, todos, no escuro, só a respiração. respiração e saliva duas vezes cada vez. e agora, dondestá o duplo? terceira e quarta mão, outreu d'outrora. pedaço de esfera perdida. porquessa pressa? será que gruda de novo? fundição ao contrário. e o tempo? dobrou no corpo? evaporou com o espírito? não vi o tempo, dormi. e no ranço de toda essa sensibilidade corpórea, o medo simples de enlouquecer.

13/06/2011

dos bailinhos do coração

eu poderia fazer mil versinhos sobre os músicos
e suas mãos bailarinas
dançando pelas cordas de um violão
cada uma em um ritmo
cada dedo num som
compondo aquela coisa linda
chamada amor.

06/06/2011

eu mesma verme, corvo, serpente

e tu, criatura construída, monstro, quem és tu?
fui eu que te botei dentro de mim?
ou tu que rompeste a cútis do meu cérebro?
quem é o alimento dessa loucura?

04/06/2011

caber-se

quanta dor cabe num corpo? quanta dor? um só corpo. quanta dor! quanta fome cabe num estômago? quanta? e no coração? quanta fome no coração? quanto amor! é tanto, é muito, é demais. é quase nada. tudo no mesmo coração. tudo no mesmo estômago, no mesmo corpo, na mesma carne. quantas idéias erradas cabem num cérebro? um só cérebro e todas aquelas idéias erradas. várias idéias erradas, infinitas idéias erradas, infinitos amores certos e errados, infinitas fomes e dores, certas e erradas. quanto. muito! quanto... nada? em cada pedacinho, cada célulinha, um ponto de dor, de fome e de todas, muitas, sempre, infinitas e retornáveis outras coisas que esse corpo é capaz.