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15/04/2014

feitiço para conceber fantasmas, ou poema para a lua

em noite de lua sangrenta, 
sobre terra fértil e molhada ainda da chuva,
pousa teus pés descalços 

ouve o som que o vento leva
que o silêncio é a voz da saudade

em noite de lua sangrenta, 
com a unha do gato, negro como o céu 
sob o qual te escondes,
fura o dedo

e derrama teu coração
quente, vermelho, e vivo 

como foi o amor um dia

em noite de lua sangrenta,
com voz de cigana,
canta o nome
três vezes,

que do recôndito mais oculto da carne 
ele ressurgirá.

12/03/2014

im traum verpasst

em uma noite demoníaca
dessas
em que o vento sopra maldições
nos recônditos mais sombrios
das mentes perturbadas,
você me apareceu em um sonho.

voltava cheio de promessas


e eu acreditava. 

o gozo IV

o gozo desceu o corpo
molhou cabelos,  rosto
e coração.
como lágrimas quentes
foi te varrendo para dentro,
cada vez mais querido.

18/02/2014

das declarações

ah menina...
tens o cheiro fresco de flor
e a pele molhada de lua
olhos cor de vento
e ondas de mar nos cabelos

ah menina...
se tu soubesses do amor...

11/02/2014

30/01/2014

não se preocupe, eu dou um jeito

meu caro senhor,

se te assusto, respira. não penses que meu amor é para sempre. edifico, é verdade. podes ocupar o mais alto arranha céu do meu coração. mas também sei demolir. um dia, a luz na janela me dirá: - é hora. 

e com a ponta dos dedos retirarei apenas um bloquinho: aquele único vermelho que te sustenta. 

23/01/2014

das noites sem estrela

fui para o jardim. olhei para cima, a sua lua não estava lá. era noite escura sem estrela. fechei os olhos. tomei uma chuva fina ao seu lado. quando os abri, outras luzes iluminavam o céu.

journal BXVI

eu sei que eu nasci para o amor. é por isso que eu tenho tanto medo.

07/01/2014

das mil cartas de amor do tempo

meu caro senhor,

a certeza dentro de mim é tão grande que nem toda turbulência do mundo me dirá que estou errada. os abutres contornando o céu prenunciam tempestade. sim, a que nós criamos e que agora nos consome. a que eu criei e que agora me consome. talvez seja isso afinal. eu não vi o raio que nos, que me partiu. todo dia eu penso nas mil cartas de amor que te escreveria, que te escrevo diariamente. toda noite eu durmo esperando raiar o dia em que não te verei mais nos meus sonhos. 

todo dia é dia do teu nome, é dia do teu rosto. te dedico cada hora, cada minuto, e se por um acaso me deslembro, é o tempo que você precisa para ser mais um pouco dentro de mim.

mas algumas musicas me desenterram de você, te desenterram de mim. me vejo cravando os dedos no coração, enchendo as unhas de terra e te puxando lá de dentro, rasgando pele, me salvando. e é durante essas notas que eu retomo meus minutos, minhas horas, minha memória, uma a uma, gota a gota.

e ainda que cada linha, cada corda arrebentada, cada letra molhada, sejam para você, e serão até eu esquecer, eu sei que é o tempo quem conta as histórias. então sento na pedra, os pés dentro d'água, e espero o vento levar sua sombra. eu sei que o sol já não queima, então sento na pedra, os pés dentro d'água, e espero o vento levar sua sombra.