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30/12/2012

deixa o gato falar!

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28/12/2012

não amor ou quase de verão

virou de costas e
lentamente
amarrou seus cabelos em um coque alto.

lançava olhares furtivos por entre cabeças e copos.
 

pele gravada, rosto de quem tem história. era pirata, cigano. e em cada personagem eu

eu dizia alguma coisa quando me interrompeu levando a caneta e o amor.

virou de costas e
lentamente
me provocou com seus cabelos amarrados em um coque alto. 

era beleza, vazio e segredo. 

não merecia uma história de amor.

13/12/2012

com o coração cheio de nuvens

era ele. era ele trazendo toda a saudade e o medo dela de volta. era ele enchendo seu coração de quereres e sombras.

12/12/2012

journal BXII

pela primeira vez tive vontade de pegar o cabelo de alguém para sentir o toque, de agarrar seu pescoço fino e firme e sentir a pinta alta no dedo. devia ser bela quando jovem. o homem também era simpático, tinha cara de divã. dos dois emanava um cheiro de cachimbo. me deu uma saudade...

04/12/2012

journal FXVI

quando o aqui presente não promete, a gente foge pro lugar nenhum do sempre (ou do nunca?) que é a saudade


05/12/09
Ois gerais,

Quantas vezes uma pessoa pode ir ao cinema em um dia? E em uma semana? A minha inspiração não é uma pomba branca que vem do mar, mas uma coruja velha atarraxada no galho seco de uma árvore, que só abre um único olho e faz « u-u » à 1h da madrugada. Quando não às 3!

Nesses tempos sem notícia muita água já rolou. Sim, quem não dá notícia agora sou eu, invertamos um pouco os papéis. Uma vez eu fiz um teste numa revista pra ver se eu sabia discutir a relação. Tirei quase 10. Um dos itens era saber criticar o outro criticando a si próprio. O ó. Faz duas semanas que eu só sei falar o ó pras coisas. Boas e ruins. Tudo começou com Twilight 2 capítulo Tentação que eu fui ver com a Karina no cinema mais brega de Paris (Champs-Elisée). Foi o ó de divertido. Rimos até chorar do pobre do filme. Aí a moda pegou (tanto de falar o ó, quanto de falar durante o filme). Semana passada fomos ver O Bazar. Ta disputando o top3 piores filmes da minha vida. Acho que Hulk ainda tem o cinturão invicto do primeiro lugar, mas fazia tempo que eu não via uma coisa tão ruim daquelas. Não conseguia parar de rir (pra não chorar). Até levei um chute da menina que queria dormir ao lado e não conseguia com as nossas risadas. Foi o ó da experiência cinematográfica! No mesmo dia fui ver um filme d’uma israelense. Prendre Femme o nome do filme. Ronit Elkabetz o nome da israelense. Roteirista, diretora e atriz. E que filme bom! E que mulher linda! O ó. Fazia tempo que eu não via uma mulher daquelas. O filme foi tão bom, e a mulher tão bonita, que eles conseguiram vender todos os ingressos do outro filme dela que passou no dia seguinte (a segunda parte da trilogia, cuja terceira ainda não foi realizada). Sept Jours o nome do filme. O ó de bom também. Hoje, para completar minha semana Tela Quente, eu fui ver The Limits of Control e Vincere. O primeiro é interessante. Bem à la Jim Jamursch. Dormi 3 vezes. O resto do cinema também. Nas horas em que eu estava acordada fiquei contando os que dormiam. Hehe. O segundo é bom. Mas pareceu querer abraçar o mundo com 4000 metros de filme. Saí da sala com a cabeça pesada. Cheia de idéias. Não para o meu trabalho (que era tudo que eu precisava nesse momento), mas para o journal e para o roteiro. Aquele eterno roteiro que eu escrevo e reescrevo há 2 anos. Será que um dia ele sai de mim? Ou será que um dia eu saio dele? Ideias mil que chega me dá preguiça de começar a esboçar. Acho que quando terminar o journal já vou estar com tanto sono que vou esquecer todas.

Nessas águas que rolaram muito tempo sem notícia também boiou Lyon. A viagem foi ótima. Me colocaram numa cabine de trem Zen. Levei um livro (acreditando no poder do estudo), mas lá, assim como no filme do Jim Jamursch, todo mundo dormia. Êta que dava um sono ver aquele povo dormindo… e era inútil lutar contra, todo mundo se rendia no final, com o livro aberto no colo, ou o jornal aberto na mesa. Ouvindo música, ou assumidamente de boca aberta mesmo.

Lyon é uma Paris com jeitinho de Florença. Uma boa mistura. Matei minhas saudades de televisão na casa do Étore. Foi o programa da noite de sábado e de domingo! Televisão com vinho e azeitonas. Chique. Também visitei o museu de tecidos (o ó de bom) e o de cinema (a casa e a fábrica dos Irmãos Lumière). Isso tudo entre outros passeios bem gostosos pela cidade e pelo teatro romano que tem lá. Fotos no Orkut.

Também boiou a despedida da Kameni. Confesso já sentir falta da minha companheira de fim de semana. Vide minha dupla ida ao cinema numa sexta feira a noite. Quanto à escola, apresentei um trabalho na terça. Vou apresentar outro na próxima terça e outro na outra próxima. Aí só tenho prova em Janeiro. 

Quanto à saude e à beleza. Assim que cheguei de Lyon briguei com uma gripe. Fiquei de cama uns dias. Melhorei. Daquele jeito Julia né. Como diria Lais, eu não fico doente, eu sou doente. Já a beleza foi atacada pela Síndrome de Noel. A Síndrome de Noel é uma coisa não especificada que deixa a gente decorada para o natal. Cheia de bolas vermelhas na cara. Semana que vem vou no médico.

Ah sim, antes que eu me esqueça. Foi lindo chegar em casa e descobrir cartinhas em cima da minha cama! Obrigada queridos, amei! As devidas respostas virão. A cada três palavras que escrevo, penso numa das ideias mil. Tenho que correr com os dedos antes que a memória se canse de brincar. Mas para não perder o ritmo, fica mais uma diquinha de filme: O Concerto. Bem leve e divertido. Eu sei que tem mais pra falar, mas tem aquele velho problema… lembrar o que!

Bisoux,

Ps: Nossa, revisando mal e porcamente agora, como eu fui repetitiva: é filme pra lá, filme pra cá, o ó prali o ó aqui! Credo. Desconsiderem a pobreza da escrita. Ainda bem que eu não tento fazer rimas.

01/12/2012

sonho ou pesadelo?

mariposa no meu quarto. saiu da minha cabeça. mariposa farfalhando. era saudade, medo, e desejo. dei-lhe um tapa com um livro. caiu na fenda escura do incerto. pobre mariposa... presa dentro do copo. presa dentro de mim

30/11/2012

journal FXV

hoje, revirando alguns papéis,


19/11/09

Ois saudosos,

O journal de hoje vai mesmo só pra ir, apenas com os relatos superficiais na medida do físico. Tudo porque o tempo não pára. Sábio Cazuza. Aqui já é tarde e amanhã cedo parto en voyage para Lyon.

De curiosidades essa semana teve a exposição de jóias do Dali. Valeram as esculturas em bronze e as ilustrações; valeu descobrir sua religiosidade e seu amor incondicional pela sua mulher Gala; valeram algumas frases de efeito como "as jóias deveriam ser inutilisáveis", e ver uma xícara que foi projetada para não ser usada. Também fui numa exposição de um homem que descobriu a cor na tinta preta. A ideia era até boa e funcionou em muitos casos, mas depois que fiz as contas e percebi que ele passou 50 anos da vida dele produzindo a MESMA coisa, lembrei do Picasso e fiquei com preguiça. Também teve uma exposição de fotografias dos surrealistas que foi bem legal. Eram umas fotos mais experimentais, mais íntimas da vida dos famosos, e de outros nem tão. Também teve o de sempre: cinema. Benditas carteirinhas motivadoras. Também teve o de nunca: museu da historia de Paris. Valeram os quadros que retratam o início da construção da cidade. Paris também já foi mato, já foi interior, já foi nada. Também teve o showzinho de blues e folk. Era num lugar meio buraquento, mas bem tranquilão. Para os curiosos /marioncorralesmusic  e /heygarçons. Também tinham outras tantas coisas que eu queria contar, como a dança da sombra das árvores nas fachadas dos prédios e as folhas passarinho, mas também tem o tempo, que não pára. 

Entón vos deixo, com a música latejando muda na cabeça.

Bisous

24/11/2012

journal DII, journal FXII


os dois reflexos estavam de costas um para o outro. as pessoas foram ficando pelo caminho, deixando os dois cada vez mais a sós.

o quarto trem foi musical. vim sentada ao lado de um descendente de viking. seus traços eram suaves, tinha a delicadeza de uma pluma. a carreira de bárbaro definitivamente não lhe cabia.

o zíper da bolsinha da senhora estava quebrado: punctum. janis joplin me dava vontade de saltar do vagão em movimento e sair correndo pelos campos. campo, campo, campo, casinhas de telhado vermelho amontoadas em volta de igrejinhas pontudas e simpáticas. é isso a alemanha.

em stuttgart eu me apaixonei três vezes, uma por uma mulher. esses meus amores de verão... passam na minha frente tão rápido quanto as férias. um deles ainda olhou para trás. eles vem, roubam meu coração com sua beleza e vão embora, levando a minha história de amor junto com eles.

a inocência tem som de risada de criança. os pequenos cantam sem vergonha do mundo. onde é que nos perdemos?

os carrinhos amassados eram brinquedos velhos amontoados num canto qualquer.

o homem sem dentes lia sem atenção um livro sobre artes marciais. tinha os olhos azuis de um louco.

o quinto trem foi um avião. dor e sofrimento são duas coisas diferentes.

paris fez bater um sentimento forte de mundo. são tantas pessoas, tantas vidas, tantas histórias andando pra lá e pra cá... é quase insuportável imaginá-las acontecendo.

paris também me fez pensar sobre o tempo parado e o tempo que muda. quem é que decide? depois de dois anos longe, esperava um reencontro cheio de angústias e saudades. de silêncios e fantasmas. de dentes. mas era como se eu nunca tivesse partido, como se eu tivesse a cidade inteira dentro de mim e nada mais me fosse misterioso, por mais segredos que as ruas ainda me escondam, e eu sei que escondem. esperava inquietação, anseio, e foi tudo ao contrário, quase que sem brilho, pipoca. revirou toda a tripa do querer viver. ajna.

ce matin, j'ai appris que les amours imaginaires resteront toujours imaginaires. le silence par contre, est réel. il sera toujours là.

pensei que não se pode ter o azul, o amor e a beleza juntos. mas como escolher?

já de volta, assolada pelo sistema, esquecida das histórias, cansada e ainda inquieta, repenso minhas tripas. eu queria falar da beleza das pedras, que me rasga, e também das nuvens que me evaporam, mas eu mesma já não aguento mais tanto vidro, carne e pipoca. a cidade que me falta não existe. ela é feita de saudade, tem cheiro de chuva e cor de tempo. a cidade que me falta é como a minha história de amor.

o gozo III

pele macia, carne rija. quanto mais a memória afunda, mais quente a carne endura. e assim vai, água e desejo. levanta, onda furiosa! lava esse corpo de saudade… mas finda em espuma fina, que o meu coração é porto.

23/11/2012

charles

que olhos! eu queria poder desenhá-los, mas a minha linha não tem a energia das pessoas. eram grandes de mel brilhantes, olhos de cílios longos formando um contorno bem marcado. sobrancelhas grossas, nariz longo e fino: três retas afilando em uma ponta sóbria. tinha o rosto curto, maxilar presente, boca pequena e preenchida. dentes pequenos e escuros de quem toma muito vinho. a barba bem feita. o cabelo curto e volumoso esboçava cachos prateados, como nuvens brancas em um céu negro. tinha os dedos da mão longos e finos. a luz lhe batia dura, mas gostava do sol. era grego. não, italiano. talvez fosse espanhol. beleza de estátua, fora do tempo e do espaço. será que era isso? chamei-o de carlos.